Via crucis: No HWG em Natal, sofrimento, sufoco, propina, chacota, desrespeito...

O primo e amigo blogueiro, relata todo seu sofirmento que passou com sua mãezinha que precisava de assistência médica no Hospital Walfredo Gurgel Natal-RN. Foto é ilustrativa   
       
Me ponho a escrever essas linhas para relatar um pouco do que nossa família está vivendo depois que minha mãe foi vítima de um acidente automobilístico no último dia 07 de outubro, dia das eleições municipais. Os fatos que agora passarei a descrever retratam bem o descaso de nossa saúde para com os menos abastados financeiramente, um verdadeiro caso de abandono com todos nós que fazemos parte da base da piramide social.

O Acidente

A minha mãe junto com minha tia e mais o filho e o marido dela, retornavam da cidade de Janduís por volta das 16h, onde haviam votado, quando transitavam pelo trecho que compreende as cidades de Belém e Brejo do Cruz, precisamente na entrada do município de Brejo, o veículoem que se deslocavam, um Fiat Doblo, acabou saindo do asfalto depois que o meu primo cochilou ao volante. Ao acordar, ainda atordoado, ele tentou trazer o carro de volta para a pista, momento em que o mesmo acabou tombando e saiu se arrastando por alguns metros.

O motorista, conhecido em Caicó como Samarone da padaria, ficou com uma grave lesão no braço esquerdo, minha tia e o seu marido com algumas escoriações leves e minha mãe em estado grave com traumatismo craniano.

Rapidamente o SAMU da cidade de Brejo do Cruz compareceu ao local e conduziu os feridos para o hospital local. Meu primo (Samarone) foi imediatamente encaminhado para a cidade de Sousa/PB, enquanto minha mãe veio aqui para a cidade de Caicó, direto para o hospital regional do seridó onde começamos outro capítulo.

Motorista de Plantão na central de Ambulância de Caicó sumiu

Ao chegar no hospital regional ás 18h50 e 19h, a minha amada genitora foi atendida pelo médico Dr João Batista, que ao olhar para o rosto desfigurado da mesma de pronto deu seu veredicto: "Encaminhar para Natal com urgência, isso é um caso de TCE". Meus amigos, começava ai a nossa primeira via crucis.

Começamos uma busca desesperada para localizar uma ambulância de nosso município para conduzi-la para a capital do estado. Ligamos para 2 números de celulares que estariam de plantão no momento, mas infelizmente todos estavam desligados. Um terceiro número foi encontrado e nesse conseguimos atendimento, o motorista por nome Gilvan nos atendeu muito bem, porém disse que acabara de chegar de Natal e a viagem naquele momento deveria ser feita por outro companheiro, inclusive já tinha tentado várias vezes contato com esse outro plantão mas o celular estava realmente desligado.

Continuamos então tentando os outros números e os mesmos não atendiam, até que voltamos o contato com o Gilvan, que mesmo exausto e não sendo dele o plantão da hora se sensibilizou com o nosso drama e na ausência do seu colega compareceu ao hospital e nos socorreu. 

Ainda estamos apurando os fatos para ingressarmos com uma ação judicial, mas as informações que temos é que o motorista que deveria estar de plantão na central de ambulâncias de Caicó na hora, passou todo o dia transportando eleitores para um vereador na cidade, e a noite foi bebericar comemorando sua vitória nas eleições locais. Mas isso é assunto que será devidamente resolvido nas vias legais.


Cobrança de Maca no Walfredo Gurgel

Ao chegarmos no Pronto Socorro Clóvis Sarinho (pertencente ao hospital Walfredo Gurgel) em Natal,  lá pelas 23h30, fomos atendidos pela equipe médica de plantão no momento, que de pronto encaminhou minha mãe para vários exames clínicos, e posteriormente constatado o quadro de traumatismo ela foi colocada em observação nos corredores da referida casa de saúde.

Mas, ai começa uma outra parte também dramática de todo esse processo. A maca em que ela foi conduzida dentro da ambulância de Caicó precisava retornar para a capital do seridó, portanto deveríamos conseguir uma outra do hospital para que ela a partir de então ali ficasse. Bem, o HMWG sendo uma casa de saúde pública, deve ou deveria ter macas suficientes para atender todos os pacientes que ali ficam internados ou sob observação, correto? nem tanto.

Fui orientado pela enfermeira que nos acompanhou desde Caicó a procurar a equipe de maqueiros do Walfredo Gurgel, pertencentes a empresa "SAFE" (locação de serviços e mão de obra). Passei a perguntar a vários funcionários desta empresa que passaram por mim sobre a disponibilidade de macas para colocar minha mãe, que nesse momento já se encontrava desacordada sobre o efeito de alguns medicamentos. Todos os gloriosos "profissionais da área" ficaram me respondendo com ironias e escárnio, até zombando da minha situação, com frases do tipo: "Ei véi tá difícil", "Sei não se vai aparecer maca visse", "Rapaz não tem como ajeitar essa maca não". Pergunto novamente: E essa empresa terceirizada não é responsável por conseguir as benditas macas para os pacientes que dão entrada no Hospital Walfredo Gurgel?

Enfim, já eram mais de 2 da manhã quando a enfermeira anteriormente citada me passou o segredo para que eu conseguisse colocar minha mãe numa maca do hospital, eu deveria fazer uma proposta em dinheiro para o maqueiro. Na verdade acabei nem precisando fazer a tal proposta, o motorista da ambulância que nos trouxe me apareceu com a maca e tão logo ele saiu retornando para Caicó um maqueiro ficou no meu pé quase que me cobrando e de certa forma me intimidando, como seu eu estivesse devendo algo ao mesmo. Situação que só acabou quando repassei uma quantia em suas mãos.

Atendimento e retorno a Caicó

Durante uma semana inteira ficamos nos corredores do pronto socorro Clóvis Sarinho, juntamente com uma dezena de pessoas. Todos em busca de ser bem atendidos, buscando sua reabilitação. O que acontece por lá é o que classificaria com uma verdadeira gangorra, uma hora você recebe todo o atendimento necessário, outras vezes ele te falta. Tudo isso presenciando toda sorte de atendimentos emergenciais e vivenciando a rotina de óbitos diários passando em sua frente.

Médicos e enfermeiros o Hospital dispõe dos melhores do estado, profissionais do mais alto gabarito que mesmo num local inadequado te atendem com todo o suporte necessário, só que infelizmente a sobrecarga de pacientes não permite que haja um atendimento digno a todos que ali estão. Sendo assim depois de uma semana inteira vivendo esse turbilhão de emoções, submetidos a toda uma carga física e emocional, recebemos alta hospitalar.

Hoje a minha mãe se encontra na sua residencia em repouso total, tomando os medicamentos prescritos e também tratando de uma infecção em um dos seus ferimentos. Infecção essa contraída exatamente nos temidos corredores.

Sem sombra de dúvida será uma lição que todos da minha família jamais esqueceremos, e que espero ter deixado aqui para que muitos reflitam.


DO Blog: Soubemos do ocorrido primo, e lamentamos com pesar. Sabemos que é difícil a situação de gente sem recursos financeiros o suficiente como nós, para arcar com despesas dessa natureza, nós também de Mossoró passamos por coisa parecida quando precisamos internar os nossos no Hospital Tarcísio Maia, mais conhecido na Região como um Matadouro de seres humanos, na verdade enquanto as pessoas continuarem votando nos mesmos candidato de sempre ,que mandam nesse estados a mais de 50 anos e se revezam no poder entre Maia,  Farias, Alves e Rosado  o nosso pobre e coitado povo e carentes do RN continuará sofrendo as consequências. Cada povo tem o governo que merece. abraços

Por: Niltinho, Policial, Radialista, Músico do Blog Trânsito do Seridó
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