A solidão é bocado ruim

Por: Pedro César Alves
A solidão é algo estranho. A frase, aqui comentada: ‘É triste andar solitário entre a multidão’ – é pura verdade, mas há quem goste – e mesmo sendo uma frase comum. E, no mais, há momentos que saímos de casa para estar entre a multidão, e solitário.

E não é apenas o físico – mas creio que o intelecto é que também precisa deste momento. Às vezes, no andar solitário entre a multidão, esbarramos em pessoas – em pessoas amigas e nem as enxergamos, em coisas e nem percebemos. Mas o intelecto permanece na ativa – mesmo que distante da realidade. Talvez a procura de uma resposta.

Alguns gostam mais, outros fazem por necessidade, pois possuem pouco do quesito chamado relacionamento. São, alguns, verdadeiros seres em potenciais, até com a vida profissional resolvida, mas ficam a desejar por este lado.

Caminhar é a questão primordial neste assunto – penso cá com meus botões. Caminhar no sentido de evoluir, de conquistar espaços – de subir degraus, de subir uma enorme escadaria para lá de cima dar valor ao caminhar percorrido. Por hora, o homem ainda precisa de solidão – ou de momentos a sós.

A amizade fortalece o ser; os laços familiares também; às vezes até os laços profissionais e religiosos. E o homem continua a vagar (caminhar), por isso alguns dizem que há necessidade de um bom porto seguro, de um ancorar – de se sentir seguro nos braços do outro. É a busca constante de se firmar como ser, como ser pensante que é. A voz interior falando, ou querendo falar mais alto.

Retomando, é algo estranho o estar só entre a multidão, o esbarrar despretensioso entre a multidão, mas que às vezes se faz necessário por algumas vezes – talvez para o processo de amadurecimento; talvez para pura e simples reflexão.

Algumas vezes tenho a vontade de isolar-me, de não dialogar com mais ninguém, de dizer ao mundo que ‘se dane’ – mas nem sempre é assim possível fazer. Precisamos, até certo ponto, do outro. O outro, aquele que nos apoia quando precisamos, é necessário. Faz-se tão necessário que muitas vezes desistimos de ficar só.

Conheci há alguns anos um senhor, que já se foi desta vida para outra vida – e espero que seja melhor, que viveu quase cinquenta anos sozinho – após a morte de sua primeira mulher, mas a certa altura da vida – sentindo-se só, arrumou uma companheira e esta o acompanhou no lieto de doença e até a morte.

As novelas retratam que alguns tentam esse caminho, mas é muito provável chegar ao fim só. Raramente acontece isso – ou acontece somente para os maus. Sempre – os autores das novelas – dão um jeitinho para formarem pares ‘quase perfeitos’, mesmo que não fique ‘bom’. E por um único motivo: o público quer sempre um final feliz. Doce ilusão!

Então, solidão é algo estranho, mas que se faz – em alguns momentos, necessário. É algo que, nestes momentos, o homem tenta se encontrar. Mas é quase que impossível e volto a dizer, fechando este: doce ilusão.

Por: Pedro César Alves é professor e escritor, membro da UBE – União Brasileira de Escritores e ainda edita o site – www.aracatubaeregiao.com.br



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