Chile: 11 de Setembro de 1973, o dia cinza

40 anos do golpe fascista de Pinochet
PORmassas
À classe operária, aos demais explorados e à juventude

Em 11 de setembro de 2013, completam-se 40 anos da derrubada do governo da Unidade Popular do Chile pelo golpe contrarrevolucionário e sangrento comandado pelo general Augusto Pinochet. É motivo de repúdio com os punhos erguidos a ditadura que impôs aos chilenos 16 anos de silêncio, de perseguição ao menor gesto político e de vigilância militar ao movimento operário, camponês e estudantil. Que usou o Estado policial para retroceder as medidas tomadas pelo governo de Allende, para submeter o País aos Estados Unidos, para impor a brutal exploração do trabalho e para liquidar o ensino público chileno. Que serviu de exemplo às demais ditaduras latino-americanas e que protagonizou a Operação Condor.

O golpe de 11 de setembro de 1973 ficou para sempre marcado por transformar o campo de futebol de Santiago em campo de concentração, por torturar e matar prisioneiros indefesos. Ficou para sempre marcado por eliminar fisicamente boa parte da militância de esquerda, sindical e popular. Ficou marcado para sempre por aplicar os métodos fascistas de eliminação a qualquer resistência.

As Forças Armadas desgraçaram o Chile graças à burguesia e ao imperialismo. Antes mesmo de Allende tomar posse, iniciou-se a conspiração para pisotear a vitória eleitoral de 3 de setembro de 1970 da Frente Popular. O Estado terrorista, manejado pela Junta Militar e comandado por Pinochet, se impôs como reflexo da debilidade da burguesia chilena diante do proletariado e da prepotência da burguesia imperialista.

Bem antes da constituição da Frente Popular e da disputa presidencial, os explorados vinham se manifestando com seus métodos próprios de luta. A Frente Popular canalizou suas necessidades e aspirações para a conquista do poder por meio das urnas. As camadas mais radicalizadas da classe operária, do campesinato e da pequena burguesia urbana atenderam ao chamado do Partido Comunista e do Partido Socialista. Confiaram na possibilidade de impor à burguesia um governo voltado para o povo, sem que fosse necessário que a maioria oprimida se unisse e tomasse o poder pela revolução. Confiaram que a democracia no capitalismo não pertence apenas à burguesia. Acreditaram que pela primeira vez o Chile teria um governo capaz de deixar para trás os governos oligárquicos tutelados pelas Forças Armadas. Acreditaram que deram poderes à Frente Popular e à UP de atacarem os interesses dos monopólios, dos latifundiários e dos ávidos banqueiros. Admitiram que estavam esvaziando o Estado de sua função primordial de garantir a exploração do trabalho e o saque imperialista. Admitiram que com seu apoio à Frente Popular contribuíram para abrir um curso de transformação pacífica do Chile dependente para o Chile independente, do Chile oligárquico para o Chile popular, do Chile capitalista para o Chile socialista.

Mas os adversários da UP e inimigos mortais da classe operária não se apegam a ilusões. A burguesia e seus agentes pensam como classe dominante. Agem movidos por interesses de classe bem definidos. Não haveria nenhuma mudança pela via pacífica. A UP teria de passar por cima de seu cadáver, se continuasse a permitir que a luta de classes se potenciasse sob a sua sombra. Viam e sabiam que o PC e PS não queriam tirá-la do caminho. Antes que a classe operária avançasse mais com seus cordões industriais e antes que os camponeses ampliassem a ocupação dos latifúndios, as forças burguesas fizeram da UP um corpo sem vida e, finalmente, um quase cadáver. O quase cadáver não reage. Aguarda a fatalidade.

imperialismo insuflou oxigênio à burguesia chilena quase exangue e deu garantias às Forças Armadas, aos Pinochets. A classe operária, ao contrário, não tinha como injetar sangue nas veias da UP. Estava desarmada pelas ilusões. Lutava instintivamente pelo pão. E a cada embate contra os exploradores, mais distante ficava de seu suposto governo popular. A burguesia estava enfraquecida politicamente, mas muito bem protegida pelas Forças Armadas e apoiada pelo imperialismo. E a classe operária? Estava embevecida pela canção de ninar da via pacífica do senhor Luis Corvalán e do doutor Allende. Não estava em berço esplêndido porque lutava pelo pão. Porque se lançava à luta de classes. Mas sua consciência de classe e sua orientação política dormiam no leito da via pacífica e da colaboração de classes da Frente Popular.

Nos quase três anos da UP, a burguesia teve tempo para preparar o golpe certeiro. Houve tentativas fracassadas. Allende as viu como mal passageiro. A vanguarda combativa sentiu o perigo se aproximar. Os partidários da luta armada – MIR e MAPU -, que estiveram com a Frente Popular e que acreditavam que a UP cedo ou tarde teria de recorrer à revolução, não tinham como servir de instrumento do proletariado, uma vez que não constituíram o partido revolucionário e estavam tomados pela concepção foquista da revolução, promovida pelo castro-guevarismo. A burguesia progredia em suas sabotagens econômicas. Aprisionara a UP ao Congresso. Impusera os limites legais às suas nacionalizações e a sua intervenção no funcionamento da economia.

A Frente Popular chegou ao Estado com os pés amarrados. A burguesia não teve dificuldades de amarrar-lhe as mãos. Não precisou de vendar-lhe os olhos e tapar-lhe a boca. Assim se encontrava a UP e a Frente Popular no dia 11 de setembro de 1973.
Nunca a classe operária do Chile esteve em situação tão vantajosa para organizar seu poder próprio desde as fábricas e de desenvolver a luta revolucionária. Mas estava sob a direção do estalinismo e do socialismo pequeno-burguês, que juntos desviaram o curso da luta de classes, o taparam com a política de conciliação de classes e o entupiram de propaganda eleitoral. A classe operária e os demais explorados cheios de esperanças deram a vitória a Allende, ainda que com apenas 36,3% dos votos. E a UP retribuiu com manobras políticas e com a traição.

Hoje, o PS abandonou definitivamente seu esquerdismo pequeno-burguês. Acha-se completamente integrado ao Estado e age como instrumento da burguesia. O PC segue o PS, mancando por trás de sua política pró-imperialista. No lugar da Frente Popular, puseram a Concertação. Operários, demais trabalhadores e juventude, as derrotas da classe operária, pequenas ou grandes, apenas retardam sua marcha em direção ao comunismo.

A derrubada da UP, sem dúvida, foi uma derrota dos explorados. Foi uma grande derrota! Mas essa derrota se deveu à política de conciliação de classe do PC e do PS. Esse é o grande problema deixado pelo golpe fascista de Pinochet. Diferente seria se a classe operária, sob a direção do partido revolucionário, com uma política correta, fosse derrotada numa correlação de força desfavorável. Esta logo se levantaria fortalecida, com seu programa intacto e com seu partido. O balanço seria outro. Mas a derrota no Chile não teve esse caráter. A derrota por traição destrói o pouco que se avançou no terreno da independência de classe.

A crise de direção no Chile assume um conteúdo particular. A constituição do partido revolucionário depende de uma profunda compreensão das experiências com a Frente Popular.

Nestes 40 anos do golpe fascista, o Comitê de Enlace pela Reconstrução da IV Internacional se pronuncia editando este Boletim. Participaram de sua elaboração, o Comitê Construtor do POR do Chile, o Partido Operário Revolucionário da Bolívia, o Partido Operário Revolucionário da Argentina e o Partido Operário Revolucionário do Brasil. Esperamos ter aproveitado este momento para elaborar a crítica programática e estabelecer as conclusões necessárias à construção do partido marxista-leninista-trotskista no Chile, como parte da reconstrução da IV Internacional.

O sangue que escorreu do matadouro da ditadura militar de Pinochet alimentará a energia revolucionária do proletariado assim que este der um só passo em sua independência política e ideológica perante a burguesia. A revolução proletária afastará da memória o terror que se abateu sobre os explorados chilenos. Mas enquanto a bárbara burguesia não for derrotada pela insurreição vitoriosa, o terror fascista e o sangue dos combatentes alimentarão nossas convicções comunistas e serão motivos de nosso trabalho revolucionário no seio do proletariado, dos pobres e oprimidos.

Viva a revolução proletária! Construir o Partido Operário Revolucionário do Chile, como 
a parte da construção do Partido Mundial da Revolução Socialista!.

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