Tempos: violência, lição é não reagir

Por: Marisa Buleoni
Há algum tempo, venho lendo matérias proféticas. Sempre com o devido discernimento e na certeza de que estejam de acordo com a doutrina da fé que professo.

É certo que avançamos de uma forma irreversível, em vários campos do conhecimento, do pensamento e, sobretudo, no âmbito da tecnologia, onde ocorre o que existe de mais moderno e espantoso.

A tevê e a internet são os dois grandes veículos de comunicação da atualidade. As notícias chegam instantâneas, segundos depois de ocorridos os fatos. É a chamada “instantaneidade da informação”. As imagens das crianças vítimas de armas químicas na Síria; os terrores das chacinas; os tumultos das passeatas; a não condenação do deputado já condenado…

Ficamos ali, diante do nosso monitor, pensando o mundo. E as notícias de morte chegam sem parar.  em Piracicaba, uma mulher tão jovem foi morta por adolescentes que portavam uma arma. Dizem que ela teria reagido, tentado sair com o carro, quando abordada. E quem não reagiria de forma parecida?

Não é fácil entregar tudo o que se conseguiu com o suor do trabalho, da luta, das conquistas diárias que cada um empreendeu e sabe o valor que possui. Sobretudo, quando se trata de um bem de estimação. Não é fácil entregar a carteira, o relógio, uma pulseirinha de ouro, o anel, o carro…

A lição número um diante de um assalto é: não reaja. Contudo, reagir parece ser o primeiro impulso de quem é assaltado, na tentativa de não permitir que levem o que se ama tanto, o que se adquiriu com muito esforço e empenho!

E ao reagir, paga-se com a vida. Os criminosos atiram sem piedade. Seja próximo de um hotel de luxo europeu, numa praia com muitos turistas, num farol em São Paulo, na rua de um bairro tranqüilo em Piracicaba.

A violência está em toda parte e atingiu um nível insuportável. Temos de ficar atentos, olhar para os lados antes de entrar e sair do nosso amado carrinho, todos os dias. Deixar nossa residência, com todo cuidado. Quem tem o privilégio de morar em condomínio fechado sente-se um pouco mais seguro.

Contudo, não se passa o dia todo dentro de casa. As pessoas precisam sair, têm compromissos a cumprir, compras a fazer e estão expostas, nas ruas, entrando e saindo de estabelecimentos comerciais, bancários, residenciais, podendo ser abordadas a qualquer momento.

Diante da tela do computador, o assombro é fatal. O que dizem os textos proféticos a respeito deste nosso temido tempo? Que um cidadão de bem teria de portar uma arma para sair à rua e fazer valer o seu direito; que o poder civil seria abolido e imperaria a violência, o caos, o medo; um tempo em que os pais devem ir pessoalmente buscar seus filhos pequenos na escola.

Não sabemos se as palavras proféticas carregam um peso confiável. Porém, não se pode negar a mudança brutal em nossa sociedade num espaço de algumas décadas. Um aumento colossal da violência, da corrupção, do crime organizado. As pessoas se sentem acuadas, cada vez mais prisioneiras em suas próprias casas.
E a impunidade corre solta em nosso país. Até quando?

Por: Marisa Bueloni mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional. É membro da Academia Piracicabana de Letras – marisabueloni@ig.com.br


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