Sexo: nossos adolescentes são bons de cama mesmo?

     Por: Silvana Macedo
O brasileiro é um povo que transpira sexo por todos os poros. Pensando bem, vivemos quase nus por boa parte do ano. Lembro-me, quando morei no exterior, de ter convivido com vizinhos por meses, mas nunca ter visto seus pés, por exemplo. Aqui no Brasil tira-se a roupa com muita facilidade. Com isto, banaliza-se a nudez a tal ponto que o sexo fica muito acessível a todos.
Tenho certeza que muitos afirmarão que na Europa já existe campos e praias de nudismo há décadas, e que mesmo com toda a nudez nestes lugares, não há esta exacerbação da sensualidade que há aqui. Pois eu afirmo que há sim, mas devido ao próprio clima, o povo se comporta mais discretamente em locais públicos. Tanto que a pornografia há muito está presente, praticamente institucionalizada, na cultura da Holanda e da Suécia, por exemplo. Também temos que entender que a prática da nudez para muitos grupos simboliza um contato com a natureza, não compreendendo o sexo como algo para mero prazer, e sim como algo natural para a procriação. É quase que uma forma “religiosa” de ver o nudismo.

Mas, voltando ao Brasil, não é novidade para ninguém que aqui crianças de doze anos já estão ingressando na vida sexual, praticando-o como gente grande às vezes não faz. O que era tabu há algumas décadas, como o sexo oral, hoje é ingrediente indispensável nas práticas sexuais. Praticamente não há jovem que não o pratique em praticamente todas as transas. Não ter limites é uma condição indispensável para que se possa ser considerado(a) bom ou boa de cama. Desde cedo o conceito de ser “bom” ou “boa” de cama se faz presente como uma necessidade. Quem “manda bem” sempre tem mais transas. Quem “manda mal” acaba ficando “na mão, beijando azulejos”, como diz a garotada, numa alusão à prática da masturbação em banheiros.


A forma como os jovens estão se relacionando sexualmente é absurdamente preocupante, pois não há mais nada que os limite para qualquer tipo de prática sexual, nem o medo da AIDS, que muitos insistem, erroneamente, em afirmar que não mata mais. Outra prática muitíssimo perigosa em moda é o uso de remédios para melhorar a ereção, que podem gerar priapismo, além de outros sérios problemas cardíacos. Aliás, o pênis ainda é um personagem muito presente nas neuras masculinas. Questões como formato, tamanho e quantidade de sêmen ejaculado ainda deixa muitos jovens inseguros. Assim, quando maior o pênis, maior a duração da ereção e a quantidade “gozada”, mais homem é o sujeito, pensam os jovens. Hoje, a maioria dos adolescentes, tanto rapazes como moças, defende a ideia de que rapazes que fazem sexo por muito tempo e “gozam” muito são bons de cama. Os rapazes entendem que as moças que são liberadas, praticam sexo oral neles e permitem que aconteça o coito anal, são boas de cama.

Se perguntarmos aos jovens hétero ou homossexuais com quantas pessoas transaram nos últimos seis meses, teremos um imenso susto. A rotatividade de parceiros é imensa, fazendo corar qualquer adulto de seus 50 anos ou mais. Porém, eles entendem que isto é normal. Não é raro encontrarmos mocinhas se vangloriando de terem “ficado” com três ou mais caras numa festa e de terem transado com três ou mais caras diferentes numa única semana! Esta é a realidade que, auxiliada pela internet e as redes sociais, se expande cada vez mais.

Então, ousar afirmar que nossos jovens são promíscuos, tendo-se como base os hábitos de 30 anos atrás, é não compreender os tempos presentes, tempos estes que chegaram sem nos perguntar se aceitamos isto ou não. Apenas são assim e ponto final!

Por: Silvana Macedo, é terapeuta de casais e mora atualmente na cidade de São Paulo.
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