África: o outro lado do apartheid

Nenhum governo racista, nazista, fascista ou similar sobrevive sem colaboradores de peso.
 Por: Gustavo Barreto
É o que demonstra, por exemplo, uma resolução da Assembleia Geral da ONU de 1987, que: “insta veementemente o Conselho de Segurança (…) a tomar medidas imediatas ao abrigo do Capítulo VII da Carta (da ONU), tendo em vista a aplicação de sanções abrangentes e obrigatórias contra o regime racista da África do Sul e insta os Governos do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, Estados Unidos da América e outros que se opõem à aplicação de sanções abrangentes e obrigatórias a reavaliar as suas políticas e cessar a sua oposição à aplicação de sanções por parte do Conselho de Segurança;”

O documento também “insta Israel a desistir de e pôr fim imediatamente a todas as formas de colaboração militar, nuclear, de inteligência, econômica e outros, particularmente seus contratos de longo prazo para suprimentos militares para a África do Sul.” (original aqui)

Um ano depois, em 1988, o mesmo órgão da ONU “apela aos Governos do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e os Estados Unidos da América a cooperar na imposição de sanções abrangentes, obrigatórias por parte da comunidade internacional contra a África do Sul racista como um meio para alcançar a mudança pacífica no país.”


Israel é “instado” novamente no ano seguinte a pôr fim a suas estreitas relações com o regime racista da África do Sul. (original aqui)

Em 1991, uma outra resolução observa “com preocupação que as relações militares entre África do Sul e Israel, especialmente na área de tecnologia militar e, em particular, a colaboração na produção e testes de mísseis nucleares, continuam inabaláveis”. A resolução “insta” ainda que “o Conselho de Segurança considere tomar medidas adequadas contra Israel por sua violação do embargo de armas obrigatório contra a África do Sul.” (original aqui)

Apenas no final dos anos 1980 os Estados Unidos começaram a adotar medidas de embargo, que eram obrigatórios sob o direito internacional desde 1977, por meio da resolução 418 do Conselho de Segurança, que só foi revogada em 1994, quando os sul-africanos elegeram Nelson Mandela. (original aqui)

Como o regime racista começou em 1948, precisaram uns 40 anos (no caso de Israel, mais ainda), para “cair a ficha”. No meio disso tudo, muitos inocentes e ativistas dos direitos humanos mortos e milhares de violações e crimes contra a humanidade. Será que vale a pena mesmo esperar algo daqueles que só pensam nos negócios?

E a foto? Ah, a foto é só para lembrar que ainda temos problemas sobre o tema. Igualmente graves. E cujos aliados são, veja que coincidência, praticamente os mesmos.

Por: Gustavo Barreto, jornalista, radialista e produtor cultural, coordena a revista Consciência.net.
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