Sala de aula: Professores em perigo

ALUNOS AGREDINDO E AMEAÇANDO SEUS PROFESSORES!

Rara é a semana que não fico sabendo de um caso de violência contra professores em sala de aula. É inacreditável que a profissão de professor tenha se tornado de alta periculosidade. Já soube de casos de alunos que eram traficantes e ameaçaram seus professores com suas armas apenas porque tinham tirado notas baixas. E o que foi feito contra estes alunos marginais? Nada, já que a maioria deles são menores de idade e acabam, de inúmeras formas, sendo protegidos pelo famigerado Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), embora não seja tal estatuto o único culpado de todas as distorções comportamentais relativas às nossas crianças e jovens.
             Por: Alessandro Lyra Braga
Vejamos o que aconteceu com o professor Ramez Maalouf, que em agosto desse ano foi espancado por um aluno até desmaiar todo ensangüentado, no Ciep 314 Galileu Galilei, no município de Belford Roxo. Mesmo com a revolta dos pais de alunos e demais professores da escola, nada mudou. Os alunos continuam utilizando drogas dentro ou próximo das escolas, e continuam ameaçando seus professores e outros colegas.

Houve ainda o caso do professor de Matemática, Ramon Ricardo Ribeiro, de 43 anos, que no dia 29 de setembro desse ano foi agredido dentro da sala de aula numa escola do Rio de Janeiro, supostamente por parentes de um de seus alunos, após ter chamado sua atenção por indisciplina. O aluno, de 17 anos, alegou que foi agredido verbalmente primeiro e retirado de sala. Alguns minutos depois retornou com sua mãe, o irmão e um amigo e, após revidar a um tapa na cara que recebeu da mãe do aluno, foi agredido com socos e chutes pelos três rapazes. O professor, após sofrer ameaças de morte, teve que pedir transferência para outra escola.


Também no Estado do Rio de Janeiro, no município de Japeri, um professor de educação física registrou queixa na delegacia contra um aluno e seu pai, acusando-os de tê-lo agredido dentro da Escola Municipal Professora Etiene. A confusão, que ocorreu no dia 11 de agosto, começou quando o aluno, no pátio, chutou violentamente uma bola em direção de uma aluna. Vendo tal agressão, o professor chamou a atenção do aluno e pediu que um inspetor o levasse para a diretoria. O aluno ainda teria arremessado um cone em direção ao professor. A irmã do aluno, que também é estudante da escola, vendo a situação, imediatamente telefonou para o pai, que foi à escola e, juntamente com seu filho e diante do diretor da escola, atacou o professor, que mesmo tendo sete anos que lecionava na escola, já pediu sua transferência, não querendo nem mais lecionar em Japeri, por medo de vinganças.

Eu mesmo tenho um amigo que era diretor de uma escola pública carioca e flagrou vendas de drogas dentro da escola. Ele tomou a droga do aluno traficante e disse que só a devolveria ao seu verdadeiro dono. Mesmo tendo sido ameaçado de morte pelo aluno, ele não cedeu. No dia seguinte, para sua surpresa, o traficante da região foi à escola para buscar a droga. Meu amigo disse a ele, sem demonstrar medo e olhando-o nos olhos que não admitia venda de drogas dentro da escola onde ele era diretor, e que se o meliante queria vender sua droga, que o fizesse do portão para fora, que dentro do portão o território era “livre de drogas”. O traficante concordou, pegou sua droga e foi embora. Agora vejam a que ponto um diretor de escola tem que chegar para ter sua escola livre do tráfico!

Conversando com vários amigos professores sobre meu espanto por conta dessa absurda situação, ouvi relatos impressionantes que mostram que praticamente todos os professores dos dias de hoje já sofreram, por parte de seus alunos, violência física ou verbal. E quem não sofreu, foi ameaçado. E todos eles me relataram que se sentem impotentes diante da situação, já que pouca coisa pode ser feita. Inclusive, relataram que normalmente os pais dos alunos agressores costumam apoiar seus filhos, dando-lhes razão quanto às agressões praticadas. Também me chamou a atenção que isto é uma constante em praticamente todos os municípios brasileiros, e não apenas restrito às escolas públicas, acontecendo também em escolas particulares, que por questões mercadológicas, “abafam” a situação. Diante de tal situação, o que podemos fazer? Até quando nada será feito?

Será razoável que haja um policial dentro de cada sala de aula? Será que nossos professores terão que lecionar de dentro de uma cabine blindada ou armados? Uma coisa é certa, esta perda de limites não é causada dentro da escola e sim dentro da estrutura familiar. Sem o apoio das famílias dos alunos, nada que possa ser pensado e posto em prática será de fato eficaz.

Por: Alessandro Lyra Braga é carioca, por engano. De formação é historiador e publicitário, radialista por acidente e jornalista por necessidade de informação. Vive vários dilemas religiosos, filosóficos e sociológicos. Ama o questionamento.
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