Solidariedade no período natalino é uma atitude louvável

    Por: João Carlos J. Martinelli
Mais do que comprar presentes e encher a geladeira de comes e bebes, é necessário cultivar a espiritualidade e a prática social da solidariedade que ajuda a transformar a sociedade. Procuremos fazer do Natal, uma festa permanente, capaz de renovar para todos, sem quaisquer distinções, a esperança de tempos melhores e dias mais felizes.

Até mesmo em países onde a população cristã é minoritária, o Natal marca a grande festa da solidariedade universal. Por mais que tentem revestir essa data de um caráter manifestamente comercial, ela tem resistido aos mecanismos de consumo, mostrando que sua mensagem é mais forte do que qualquer manipulação de seus símbolos, que freqüentam tanto as vitrines iluminadas dos grandes magazines como a sala de visita de quase todas as casas, nos lugares mais recônditos do planeta.

Efetivamente, num mundo tão cingido por desavenças e injustiças de toda espécie, o menino que nasce em Belém nos convida a olhar fundo para o nosso próximo e lembrar que ele é irmão de Cristo e, portanto, nosso irmão, renovando as esperanças de que um dia os homens conseguirão viver em paz e fraternidade.


Louvar o Natal é comemorar a vida, reafirmando na família e na comunidade, os valores do Evangelho libertador de Jesus, pois a encarnação é um ato que nasce da liberdade e do amor. Por isso, todos os anos, a sua celebração deveria se transformar em momento de meditação e nessa trilha, enquanto forem furtados ao povo, em especial à criança, os direitos de acesso à educação, à saúde, à moradia digna não haverá festejo natalino, porque falta libertação.

Os indivíduos sem tempo ou condições para pensar, oprimidos e espoliados terão maiores dificuldades em acreditar também no amor divino. Aí está a nossa grande responsabilidade: contribuir para que este país propugne por uma distribuição igualitária de renda e por dignidade para sua gente, constantemente explorada em suas aspirações mais primordiais.

Com um pouco mais de ânimo, apesar da insegurança do tempo, da fragilidade dos relacionamentos que nos envolve e rouba de nós o essencial, sem que percebamos isso, precisamos colocar em prática os ensinamentos do Menino que veio nos libertar, para amarmos e transformarmos nossa vida por amor, fazendo da convivência, num momento marcado por conflitos e opressões, a grande escola de harmonia e isonomia entre os seres. Invocamos aqui, a título de reflexão, Maria Helena Brito Izzo, terapeuta clínica e familiar: – “Tomar consciência do lento e gradativo processo de transformação que acontece, diariamente, conosco e com as demais pessoas ao nosso redor, ajuda-nos a lidar melhor com as mudanças e nos beneficiar delas” (Revista “Família Cristã”- 12/96- p.29).

O clima natalino envolve as pessoas, sobretudo num clamor de poesia e ternura, singeleza e encanto, fazendo renascer sentimentos de sincera humanidade, de compreensão e de compaixão, alimentando a confiança mútua. Os sorrisos afloram com mais facilidade e as armaduras construídas na dura batalha cotidiana parecem menos impenetráveis, talvez em sinal de reverência, mesmo que inconsciente, a um Deus que se fez homem, para assumir o mundo.

E cada pessoa assume o Natal toda vez que com um gesto de fraternidade, um apelo à justiça, um abraço de perdão, permite que Jesus nasça em seu coração. Desejamos assim, aos nossos leitores e amigos, que a festa do menino de Belém aconteça na concórdia e em plenitude de amor e um 2014 iluminado pela Boa Nova de vida, realizações e respostas para os anseios da grande maioria.

Blog luso-brasileiro: “PAZ”

Por: João Carlos José Martinelli é advogado, jornalista, escritor e professor universitário.
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