A vaca morta no cabeço (a verdade de João Pequeno 2ª parte)


Em meados da década de 1940 no sertão do Rio Grande do Norte em uma localidade da região mais seca do país na fazenda intitulada como São Sebastião, João pequeno aportou por lá  ainda menino com 9 anos de idade. É, nesse tempo as pessoas começavam a trabalhar muito  jovem, ainda criança hoje não mais, eu (escriba) por exemplo comecei a batalhar pela vida aos doze anos, não me arrependo de nada, hoje as coisas mudaram de figura existe uma lei que impede dos sujeitos de menores entrar no mercado de trabalho no entanto para estudar, mas (os governos) esqueceram de melhorar a estrutura educacional assim, os garotos(as) não trabalham e menos estudam causando uma convulsão social já mais vista por essas terras.

                                                       Por: Iram de Oliveira
João Pequeno apesar da pouca idade era diferenciado acordava ao sol sair na barra, tocava o gado como ninguém separava as vacas das bezerras com uma maestria impressionante por sinal os bichos entendia, obedecia tanto o seu comando que os vaqueiros ficavam de "boca aberta"  com a situação de amizade, obediência do animal sob aquele rapaz.


Coragem


Para não estender muito sobre assunto e que não fique enfadonho vamos ao que interessa. As vacas e bois para o fazendeiro além da terra, todos sabem que um bem bastante precioso. Branquinha era uma das vacas mais mimosa que se possa imaginar o animal certa vez teria se desgarrado do rebanho a dias e sumido sem deixar vestígio, determinado momento da corrente semana viu-se os Urubus rodeando o cabeço (pico, cume, cerro etc.) ao longe, um lugar não muito visitado pelos nativos do lugar devido a dificuldade de acesso, ser por veredas, juremas (planta nativa) contém espinhos complicado chegar até lá, onças era vista pelos caçadores, só andava pelas aquelas bandas quem tivesse negócio, enfim.    


Jonas de Viana nome fictício, fazendeiro velho e patrão dos bons, conhecido na região quem trabalhava com ele ficava para sempre outro melhor nas redondezas estava para aparecer, imagine então! Assim, “não vejo  alternativa, João Pequeno resolveria esse problema para mim não podemos perder o couro da vaca mimosa” disse seu Jonas  depois de ter recebido um não dos vaqueiros mais antigos da fazenda.


Sem perder mais tempo com conversa fiada João Pequeno saiu ao anoitecer levando consigo uma piraca (lamparina maior) espingarda de soca, faca, o fumo e outros utensílios de precisão no bornal. A meia lua caminhava pela vereda, sozinho e meu grande pai Deus, que ninguém me incomodará em nome de Jesus. Somente escutava o chiado do chinelo de sola lapo, lapo, lapo lapo e absteve a andar. Romper ferro, era o seu cachorro e amigo em todos os momentos tinha ganhado o bicho ainda “bebê” de um amigo da família ao sair de casa da mãe, treinou a seu modo e jeito o cão era bravo bom caçador já acuou até onça. Estou tranquilo não temo nada fora isso só os castigos de Deus, que há de me guiar nessa empreitada.


Pois bem, rompe ferro o cão, bom caçador não ficava nas pernas do dono não, já adentrara mata adentro cumprindo seu papel latiu au, au, au, au, au. Ao longe o latido soava baixinho e confuso, o vento soprava frio na mata aberta Pequeno; parou, escutou, é para lá, pensou, no pé do cabeço, gosto desse cachorro ele não mente pelo ladrido sei que é coisa morta, não tá agoniado não, aguardando, ensinei bem só sai de lá quando eu chegar, bom menino, adoro ele. Muito chão ainda para “torar”. João Pequeno sabia que aquela noite tinha apenas começado  para ele, mas não se abatia com pouca coisa, apesar de ser a primeira vez que tentara fazer o que vinha pela frente queria descobri como faria, não só vou tentar, como vou trazer o couro daquela vaca  e em bom estado se não mudo de nome para sempre. Depois de caminhar na escuridão a noite  mais de meia légua mata adentro, chegou ao local desejado, ao chão Branquinha, a poucos da metros da mesma tinha o tampo, carcaça de uma outra vaca já com sinais de mexida pelos Urubus que rodeavam durante o dia, o mais estava estirada morta não dar para saber ao certo o  real motivo do acontecido, deve ter sido mordida de cobra já que  naquele carrasco, pedregulhos,  de terrenos acidentados muitas  locas de pedras jazia perfeita morada e formação de ninhos de serpentes por toda parte.      


Para finalizar, fizemos o serviço que deveria ser feito, acendemos o lamparino, eu, meu parceiro e Deus. Tiramos o couro da vaca deu um trabalhão danado mais nada que me surpreendesse, afinal de contas já estavamos acostumando com as dificuldades da vida, mais com os poderes  do divino saímos fora sem estragar a mercadoria; percebemos que dava para o patrão ganhar dinheiro na venda da preciosidade. O patrão não iria me pagar nada em dinheiro mais vai ficar satisfeito comigo depois dessa ninguém me segura, estou bem, satisfeito com o feito realizado, vamo embora Rompe ferro, missão cumprida por hoje.


Na volta segundo seu relato João Pequeno matou com sua espingarda de soca 16 avuêtes e capturou 2 peba, 1 tatú bola. Pela manhã  antes do sair do Sol o garoto de 12 anos de idade pôs fim sua primeira aventura como peão de fazenda. Quem souber de mais que conte outra.

Afirmo que essa história é verídica pois conversei com o próprio. Hoje reside em Mossoró com 76 anos e goza de boa saúde. é claro que haverá mais contos em breve. É o meu pai, acompanhe. 


Por: Iram de Oliveira, Geógrafo
Leia a parte 1 clicando aqui
      
      


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