Como é bom, dormir e sonhar

Uma das coisas que gosto de fazer é dormir. Não que eu seja daquelas pessoas que dormem muito, mas aprecio o bom sono. Desde pequena tenho minhas preferências. Nunca foi adepta de dormir cedo e, sobretudo, de acordar muito cedo. Deixo esse hábito para maior parte dos pássaros e para aqueles que gostam de ver nascer o sol.
 Por: Cynthia Nunes Vieira da Silva
Antes que alguém me crucifique, também considero um maravilhoso espetáculo o momento em que o sol vai surgindo, como se nascido da terra e não do céu, e começa tingir o tempo com cores infinitas. Só que, a par disso, eu não consigo me sentir muito disposta fisicamente nesse horário. Se o sol nascesse às oito da manhã, eu estaria sempre a postos, mas, como astro que é, tem as suas manias também…


Sempre gostei de ir dormir depois que todos já haviam se deitado, depois que a casa estava silenciosa. Em verdade, eu não ia exatamente dormir, mas ler e escrever. Sempre foi esse igualmente meu horário preferido para estudar, pois gosto da sensação de que o tempo fica pensativo e quase tudo ao meu redor se torna silêncio, até para permitir que ideias brinquem livres e barulhentas pela minha cabeça, embora se fazendo audíveis para mim…

Quando o sono vem, por fim, estou plena e pronta para me encontrar com Morfeu. Ter sono é uma dádiva, diga-se de passagem. Em certos períodos, quase sem explicação, sou tomada pela insônia e isso me deixa louca, transtornada, sentindo-me viúva daquele que me renova o corpo e a alma.

Gosto de acordar quando me sinto revigorada e isso ordinariamente ocorre após as oito horas da manhã, ainda que eu tenha ido dormir lá pelas duas da madrugada. Da mesma forma, gosto daquele sono que me invade depois de uma refeição e se eu pudesse dormir meia hora nesse horário, seria uma pessoa muito mais ativa e menos cansada. Houve, de fato, um tempo no qual isso foi possível, mas hoje, definitivamente, durante a semana, é inviável.

Para além de dormir, o sono me propicia o imenso prazer de sonhar. Sonho muito e gosto demais disso. Alguns sonhos me parecem tão reais que tenho a impressão de que, vez ou outra, eu os misturo com minhas reais lembranças, de forma indistinta e quase proposital.

Já sonhei que era capaz de voar, de respirar livremente embaixo d’água; já sonhei que era princesa, mas também que era escrava; sonhei que era bicho, que era homem, que era velha, que era criança outra vez; sonhei que gente viva estava morta e que gente morta estava viva; já acordei chorando, mas já acordei sorrindo…

Ao me deitar, não posso evitar imaginar para que tempo, mundo ou emoção os sonhos me conduzirão. É como ter a própria máquina do tempo, o próprio teletransporte. Amo pertencer a um mundo no qual o mal e o bem são ensaio e a morte pode ser enganada sem pudor ou vingança.

Sei de pessoas que dizem não sonhar. Se isso for verdade, sinto muito por elas…

Blogue luso-brasileiro: “PAZ”

Por: Cinthya Nunes Vieira da Silva é advogada, mestra em Direito, professora universitária e escritora – São Paulo.


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