Educação que queremos

Ninguém duvida que para um país se desenvolver e se tornar uma potência é preciso que se invista e dê prioridades a áreas que são fundamentais em seu desenvolvimento. Educação, segurança, saúde, transporte e energia são áreas chave para que o país possa se destacar e se manter na vanguarda das potências mundiais. E destas áreas é fundamental que uma receba atenção especial para que o futuro do país seja garantido e para que o crescimento seja garantido, a educação. E infelizmente o Brasil não é um exemplo de como fazer isso e por isso patina em todas as outras áreas.
Por: Jhonnatta Fernandes
Houve um tempo, aqui mesmo no Brasil, que os pais enviavam seus filhos para a escola na esperança de que com os conhecimentos adquiridos lá, seu filho pudesse ter uma vida melhor. Não faz muito tempo que os pais ao deixarem seus filhos na escola pensavam desta forma, na verdade faz cerca de 15 anos.

Era comum ver pessoas simples, sem escolaridade levarem seus filhos para a escola e os depositarem lá como quem aposta seu futuro. Estas pessoas sem terem dinheiro e muitas das vezes perspectivas de melhoria de vida, apostavam tudo na educação dos filhos para melhorarem sua situação. E quem seria capaz de dizer que eles estavam errados? Mais conhecimento, maior capacitação e força de vontade leva as pessoas para frente, quem não acredita nisso? Muitas destas pessoas não puderam estudar, mas apostaram tudo para dar esta oportunidade a seus filhos, investiram tudo para que seus filhos tivessem o que eles não tiveram e assim poder ter o que eles não têm.

Infelizmente os governos não pensam da mesma forma que estas pessoas, não olham para a escola como uma porta de entrada para uma vida melhor a partir do conhecimento. Infelizmente o governo se apressou em mudar a função social da escola, buscando transformar a escola em um centro social comunitário e não mais uma referência do saber, um pórtico luminoso para aqueles que esperam aprender mais e mais e alcançar a vida que desejam.


Com esta “mudança social” da escola, quem ainda envia seus filhos para lá imaginando o que imaginavam os pais de 20 anos atrás correm o risco de terem grandes decepções como muitos daqueles tiveram. A escola não sabe mais qual é a sua função, ela não sabe mais para que existe e este é seu maior problema. Se antes os professores gostariam de mostrar o mundo a seus alunos e se queixavam de não poder fazer pois as condições não permitiam, pois faltava praticamente tudo nas escolas, hoje a situação não é mais esta, ao menos nas principais áreas metropolitanas do país. Não é mais a falta de materiais, merenda, água, equipamentos ou professores que impedem que o trabalho seja realizado.

Os professores foram reduzidos a se comportarem como funcionários qualquer, perdendo sua posição de intelectualidade. A proletarização dos professores surge a partir do pensamento socialista que visa dividir todos em classes, para lutar contra a opressão do capital. Durante a formação destes professores, os pobres alunos recebem altas doses de Marx, Gramsci, Foucault e Nietzsche. Com isso passam a ser ótimos militantes contra as “classes opressoras”, a defender uma revolução social, a libertação da escola e uma quebra com o modo de pensar arcaico da filosofia grega e a herança cultural e moral judaico-cristã. Pronto, esta é a receia para criar o que Lênin gostava de chamar de idiotas úteis. Para quem não conhece este é o termo criado entre os revolucionários de 1917 para designar os ocidentais que viam com simpatia o que eles faziam. Mas quando o assunto é conhecimento, instrução e ensino, muitos que foram formados no modelo acima se comportam como baratas tontas, sem fazer a menor ideia do que seja isso.

Se antes faltava material para trabalho, hoje infelizmente em muitos lugares falta o professor saber o que fazer com recursos como computadores, projetores multimídia, laboratórios, mapas, entre outros.

Aliado a esta triste realidade há a proletarização do professorado. Enquanto nos países referência em educação como Coreia do Sul, Japão, França, EUA e Dinamarca os professores tem uma carga horária fixa na semana em média de 40 horas e em alguns países há uma obrigação de atualização que pode custar a autorização para continuar a lecionar, ou seja, mesmo após se formado o professor só leciona após passar por uma avaliação, assim como a OAB realiza com os bacharéis em direito aqui no Brasil. Mas aqui é diferente, a grande maioria dos profissionais da educação defendem as bandeiras de sindicatos, sem ao menos pesquisar o que está em jogo. Estes sindicatos, muitas vezes ligados a partidos políticos, alinham suas lutas com as propostas destes partidos e com isso se posicionam contra muitas destas ações que ocorrem nos países citados. Graças a este modelo medíocre, o professorado deixa de ser alguém capaz de guiar a sociedade para um futuro melhor e passa a ser mercadoria de troca entre partidos, governos e candidatos.

Muitos podem questionar se os concursos para professores não cumprem este papel. A resposta é: deveria, mas não cumpre. Infelizmente no Brasil os concursos são apenas protocolos para preenchimento de vagas nas escolas públicas. Fora a quantidade de profissionais contratados, que são aqueles que estão em sala de aula sem passarem por algum concurso e muitas vezes conseguem a vaga graças a conchavos políticos.

É preciso que seja feita uma reforma urgente no sistema educacional brasileiro, inclusive nas propostas que estão atualmente sendo discutidas. Quando pensamos em educação é preciso mirar em um modelo e em um objetivo. Nos próximos 30 anos queremos estar com uma educação como Noruega, Inglaterra, Canadá e Japão ou como Cuba, Moçambique ou China? As mudanças no modelo educacional devem começar a serem realizadas urgentemente, pois neste ritmo, corremos o risco de perder a capacidade de pensar nosso futuro.

Por: Jhonnatha Fernandes é blogueiro e mora na cidade de Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Os artigos de Jhonnatha Fernandes são publicados originalmente no site parceiro Moral Política.
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