Domingo da mudança, parte 2



Terminamos o jogo da bola de meia,  menino ainda mais desconfiava que a minha estada ali estava próximo do fim,  já não tinha mais clima para tantas alegrias, expressões séria era o que se via. Eu particularmente cá com os meus pensamentos fitava bem o corredor de Chico cavalão lembrava bem de quanto teria corrida por aquilo lá, passando por debaixo  das árvores mais a frente sentava na sombra das Algarobas, lembro que um dia ao levantar-se senti uma fisgada forte no solado do pé num é que um espinho varou a chinela, puxei que o sangue espirra mais doeu  para danado e sair coxeando num pé só em direção a Estrada, ao olhar para um lado e para o outro perguntei a mim mesmo, pra onde vai toda essa terra batida? Há dias teria tentado descobrir assim, peguei a bicicleta sem meus pais saber seguir em frente pela BR-226 que era de terra e pedregulhos a “inocência”  então seria um dos meus aliados, passei do alto de Seu Luciano percebi uma longa central à vencer chegando no açude do livramento, o cheiro de capim molhado quando o vento dava na minha direção me fascinava, para não perder mais tempo segui sem olhar para onde estava indo, no certo momento senti fadiga parei um pouco para descanso, o sol já castigava e a sede já me maltratava assim coloquei a magrela no descanso e acabei sentado na terra seca, nessa hora decidi por voltar nossa mãe deve está preocupada comigo. Menino acorda o que pensas o caminhão já está de saída vamos esse garoto é meio avoado, ora essa. Banho e roupinha de chita pai chama “vamo filho tá na hora”, e me coloca no lastro do caminhão perto do meu mano amigo até hoje Clélio com a intenção e cuidarmos um do outro presumi, “queria ir na boleia” não cabe mais está lá está sua mãe e tua irmã. Pois bem, despedida só para os adultos as crianças não tinham esse direito apenas acenamos para meus coleguinhas, começamos a tomar distância, aquele lugar não mais me pertencia teríamos que buscar outros ares era o que passava em mente da “trupe”.  Tentei olhar na frente mais não foi permitido pelos grandes, botava a cabeça de lado meu pai gritava alto “sai menino você se machuca” e do outro também escutava o berro “cuidado com a Jurema” árvore típica da região, me concentrei virava para um lado, mato seco e cinzento do Semiárido  era o que se passava para trás só  poeira  visão quase nenhuma, visual fúnebre árvores mortas em outras bastante castigada pela falta de chuvas  era o que se via pouco ou nada de diferente no decorrer da viagem no largo de um caminhão que pulava feito “pipoca” em panela de barro. Via a ponta da igrejinha de Campo Grande cidade que conhecia apenas pelo nome essa não paramos. No sobe e desce e com muito sofrimento nessa bendita viagem  que foi os solavancos e atropelo quebrou o pote da casa meu pai jogou os pedaços fora clac, clac, clac... Que logo se perdeu de vista esse ai nunca mais, a fome!  Já não aguentava mais aportamos em lugar desconhecido por mim, comi uma goloseima não sei o que era eu  e meu mano, matamos quem nos matava. Viagem que segue não precisamos mais aclamar sempre no mesmo estilo, luzes ao longe avistamos “estamos chegando no Mossoró grande”  disse meu pai, percebi logo que a partir dali nossa vida não seria mais a mesma, pelo o ambiente então, nem se fala um povo mais alegre, de fala mais compassada um maior “entendimento” dos fatos etc. Algo que marcou bastante na chegada era as músicas, e ficou  na lembrança  um dos grupos de maior sucesso na época era as Frenéticas com as músicas tocadas diariamente no Rádio  como 'Dancing Days', 'Perigosa', 'Feijão Maravilha', 'Cantoras do Rádio', 'Perigosas Peruas', 'Você Escolheu Errado Seu Super ... Não só seria por isso enfim, mais compreendemos que sem sombra de dúvida uma sensação firme de sensor gratificante subia dos pés a cabeça, aliviamos e sentimos no olhar de cada um de nós que definitivamente esse vai ser o nosso lugar,  a “nossa casa”, nosso lar por longo período quem sabe até que a morte nos separe.   


Por: Iram de Oliveira, Geógrafo
               
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