Vida de casado

Resultado de imagem para vida a dois fotosViver a dois: a arte de amar!

por: Eduardo Aquino
Era uma vez um príncipe, lindo, charmoso, maravilhoso, que, numa esquina do mundo encantado, encontra – olhos nos olhos – com a paixão de sua vida: a princesa encantadíssima à primeira vista. Miopia a parte, toda paixão é antes de tudo um delírio, uma perda do juízo crítico da realidade. Portanto finita, doentia, em geral, de péssimo prognóstico. Mas quem já não? Ser pombinho, estar nas nuvens, ver uma deusa onde a maioria torce o nariz? Paixão é intoxicante, um vício embriagante que nos alucina. Assim começa a estória.
Sim, é um prazer o início, tudo novo, cheiroso, como passear no shopping só pra ver vitrine, sem ter que gastar ou trabalhar. Pipoca, filme, pizza e uma esticada. Corpinhos, sonzinho, balada e o melhor, depois de tudo, cada um vai pra sua casa. Eis a questão: nascemos e carregamos vida a fora quatro malas, algumas pesadas outras difíceis de ser transportadas, outras sem alça.
A primeira é a “mala genética”, que já chega de nascença. Traz do olho verde, da pele morena, do cabelo liso, ao mau humor matinal, timidez, alcoolismo, mania de perfeição ou preguiça. Sem contar diabetes, calvície, tendência a engordar ou não gostar de sexo. Mala imensa e que nunca cansa de trazer surpresas para si mesma ou para quem vive ao lado. Já pensou, por exemplo se apaixonar pelos lindos cabelos do príncipe e ele ficar careca aos 30 e barrigudo aos 25?
A segunda mala chama-se “cultura familiar” ou, se quiser, o jeitão dos sogros, cunhados e coligados. Falam alto? Brigam o tempo todo, falam palavrão? São religiosos, silenciosos, pudicos? De classe diferentes? Arrogantes, ignorantes? O certo é que o choque cultural é muito comum, se é que não existe um racha familiar por questões de herança, religião, ciúme, inveja. Imagine uma reunião dos pombinhos para comunicar o noivado e uma família no churrasquete, totalmente tonta, tocando um samba… e a outra crente, debaixo do guarda sol com as Bíblias sobre a mesa para abençoar a união. Haja selfie…
Bem, eis então a terceira mala: o “grau de maturidade” e o “ambiente que nos molda e prepara para a batalha pela vida”. Não adianta ganhar idade. Maturidade é a capacidade de observar, experimentar e assim gerar conhecimentos sobre nós e o mundo que nos cerca. Viver é tentar. Quem mais tenta mais experimenta. O desafio é que tentativas geram acertos e erros e aí o bicho pega. Existem aqueles que morrem de medo de errar. São perfeccionistas, exigentes, detalhistas. Sentem culpa e são autopunitivos ou odeiam ser chamados atenção. Assim, infelizmente, tentam pouco, pois querem estar preparados e nunca confiam em si. Deixam de viver e amadurecer. Outros, não admitem errar e passam a vida justificando, dando desculpas, brigando, reclamando, mas não amadurecem, pois repetem os mesmos erros. O certo é que pombinhos costumam ter diferentes níveis de maturidade nessas malas individuais e quando acordarem dos delírios da paixão terão de trocar trapinhos.
Finalmente, a quarta é pior das malas: a do “temperamento” ou “personalidade pessoal”. Aqui a coisa pega. Pois, temperamento, como o termo sugere: um apimentado, outro doce; aquele amargo, fulano sem sal. Imagina um pombinho sociável, carismático, festeiro que namora uma pombinha tímida, caseira, sem graça? Ou um mal-humorado, irritado, agressivo, namorando pessoa delicada, risonha, receptiva?
Pois bem, namoro é a maravilha de voar juntos, curtir a vida do alto, livre, leve, solto. Depois, cada qual vai para seu ninho e ali existem seus quatro armários. Coloca ali suas quatro malas, que cabem feito luva. E dormem o sono dos anjos sem ronco, bafo de onça ou pum noturno. Mas, um belo dia, festa de casamento, lua de mel e novo ninho. O grande problema é que agora têm oito malas e só quatro armários. Começa então a vida de casado. Uma eterna tentativa de tentar fazer e desfazer malas que caibam em tão pouco espaço.
Só muita generosidade, desapego, afinidade, lealdade, admiração. Então, a beleza de entender que, finda a paixão, os poucos pombos que sobram e conseguem remontar suas quatro malas nos quatro armários, sem dúvida, construíram o amor!
Convite: No dia 30, no Minascentro, com entrada gratuita, estarei ministrando palestra sobre Estresse. Inscrição no site http//evento.araujo.com.br. Fica o convite aos amigos e leitores.
Fonte: Jornal O TEMPO
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