Crise moral que desemprega

Resultado de imagem para desemprego fotosO excesso de riqueza

O fenômeno que desemprega e joga na miséria milhões de brasileiros decorre de uma crise moral assombrosa que afetou a capacidade de discernimento das elites dominantes. O Brasil está em convulsão.
No domingo recentemente, muita gente ocupou as ruas para protestar contra as atitudes tomadas por Câmara e Senado. Alguns parlamentares já são recebidos com manifestações violentas em aeroportos e outros locais públicos. A instituição aniquilou sua respeitabilidade a ponto de que qualquer atitude leva a pior e mais esquálida das interpretações.
Palpita um sentimento de tomada da Bastilha nos ânimos da população, provocado pelas tentativas de atender os interesses dos próprios congressistas. O afastamento de Eduardo Cunha não modificou o “modus operandi”, as revelações dos bastidores da corrupção devastaram a respeitabilidade da classe política, que tem no Congresso sua vitrine.
O Poder Legislativo, em geral, passou a ser visto como um Poder que trocou o dever de fiscalização do Executivo pela submissão e exploração. O Jornal da Globo de São Paulo mostrou os devaneios da Assembleia paulista com copeiros, manobristas e ascensoristas gozando de salários de treze mil reais.
Essa amostragem certifica que, faça sol ou chuva, o PIB avance ou retroceda, a farra não para nunca. Assim, as reservas de tolerância estão no fim. E o que as extingue são as últimas ações “corporativistas” tomadas pelo Congresso legislando despudoradamente em causa própria.
A palavra do Criador adverte que “ganharás o pão com o suor de teu rosto”, mas no meio político se consomem iguarias até com o sangue do povo vergastado e sofrendo com doze milhões de desempregados. As medidas do Congresso são de aumentos de alíquotas, de sacrifícios da população e de aumento de mordomias incompatíveis com os serviços públicos sucateados e inoperantes.
Uma instituição sintonizada com o sofrimento da população, diante da crise que assola o país, depois de três anos de quedas terríveis de produção, estaria empenhada na procura de fórmulas para reerguer o Brasil. Nada disso: o Legislativo vota apenas, aos trancos, medidas que facilitem a vida dos congressistas.
O recado foi dado das ruas em 2013, num país que ainda não tinha mostrado ser o campeão da corrupção.
Marcado pelo distanciamento abissal da realidade, o Congresso reagiu com medidas corporativistas e absurdas, de costas para a tragédia nacional.
Num país que é recordista mundial de recessão, não se encontra entre as preocupações dos parlamentares uma proposta sequer para estancar o processo recessivo.
Um novo ano vem aí com perspectivas assombrosas para a população, mas ótimas para os parlamentares, sempre a salvo de renúncias.
O lado que carrega o Brasil ficou submisso a quem não trabalha, não deixa trabalhar e explora canhestramente a nação.
Gandhi fez notar que o sistema pacífico de governo é evidentemente impossível enquanto persistir o profundo abismo entre palácios opulentos e miseráveis tugúrios. Disse que “é inevitável, mais cedo ou mais tarde, uma revolução sangrenta, a não ser que uma renúncia voluntária às riquezas e ao poder que as riquezas comportam”surja para evitar o pior. O Congresso não se autolimita nem sonha com isso, não entendeu que, como instituição, precisa renunciar a privilégios exorbitantes.
Os projetos que poderiam acelerar a economia nacional estão fora da compreensão e dos interesses corporativos, o que se discute são propostas do Fundo de Financiamento da Democracia, um assalto legalizado de R$ 12 bilhões por legislatura, colocado nos ombros dos contribuintes.
A leiteira da paciência nacional entornou com a proposta de anticorrupção que transformou-se na limitação de poder do Judiciário. Não é que todas as propostas dos congressistas fossem totalmente erradas, mas, partindo de uma instituição desmoralizada, pareceu um insulto ao planeta.
Parece que o Congresso não acredita que renunciar espontaneamente aos excessos de riqueza e de poder seja a saída. Isso hoje é um dos maiores problemas.
Fonte: Jornal O TEMPO
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