O poder que quase tudo pode

Resultado de imagem para manifestação nas ruas do brasil fotosHá algo maior que o poder

por: Durval Ângelo
Centenas de milhares de manifestantes saíram às ruas, em todo o país, na quinta-feira (20) da semana que passou, em defesa do ex-presidente Lula e do Estado democrático de direito, contra as reformas golpistas e pela saída de Temer, o ilegítimo. A manifestação expressa a indignação de milhões de cidadãos e cidadãs, quando se sucedem verdadeiros atentados à democracia.
Se é de revolta e determinação, o momento é também de profunda tristeza. Confesso que, ao tomar conhecimento da condenação de Lula, emocionei-me frente a tamanha injustiça protagonizada justamente por quem deveria fazer justiça. Trata-se da concretização da máxima de Rui Barbosa: “A pior ditadura é a do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer”.
Como não sofrer ao constatar que hoje, no Brasil, o Judiciário tem lado e ideologia? A condenação de Lula foi absolutamente política; isso é inegável. Uma sentença surreal, sem a apresentação de sequer uma prova concreta. Condenado por supostamente receber um imóvel cuja propriedade legal nunca foi sua e que já havia até sido dado como garantia pela construtora em um empréstimo bancário. Condenado por suposta lavagem de um dinheiro que nunca recebeu.
Não foi Lula que Sérgio Moro condenou, mas sim as políticas de inclusão que o ex-presidente implantou, retirando milhões da miséria. O que querem é desconstruir os avanços para os pobres alcançados nos governos do PT com programas como “Bolsa Família”, “Luz para Todos”, “Minha Casa, Minha Vida”, “Fortalecimento da Agricultura Familiar”, acesso de pobres e negros às universidades, além do aumento real de salários, entre tantos outros.
O crime de Lula foi criar condições para a promoção social dos excluídos, incomodando as elites e setores da classe média, que veem no “juiz justiceiro” um legítimo representante de seus interesses. Por isso, além do impeachment de Dilma, da destruição do PT, da retomada do poder pela direita e da inelegibilidade de Lula, o plano – em conluio com a CIA – inclui o retrocesso das políticas sociais. Fato é que, recentemente, o Brasil voltou a figurar no mapa mundial da fome da ONU. Vergonhoso!
“Há algo maior que o poder que se chama ‘justiça’”, afirmou o escritor e pensador francês André Malraux. Infelizmente, hoje, no Brasil, em muitas situações, justiça e poder têm andado de mãos dadas. Mas, se existe um Judiciário autêntico neste país, essa condenação há de ser revertida na instância superior.
A boa notícia é que parte significativa da sociedade começa a perceber o que está em jogo nessa queda de braço, cujo pano de fundo jamais foi a corrupção, mas a luta de classes. Prova disso é que, logo após a condenação de Lula, o PT recebeu mais de três mil novos pedidos de filiação somente via internet.
O povo brasileiro há de resistir aos retrocessos e fazer valer o direito de eleger, democraticamente, o presidente deste país. E ele será Lula, com toda a certeza, porque assim deseja a maioria dos eleitores. É o que “eles” mais temem.
Fonte: O TEMPO
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