Quem somo nós

Resultado de imagem para quem somo nós fotosSomos todos, alguns mais e alguns menos, contraditórios

A propósito da incoerência, Montaigne escreveu, no ensaio “Da incoerência das nossas ações”“Os que se dedicam à crítica das ações humanas jamais se sentem tão embaraçados como quando procuram agrupar e harmonizar, sob uma mesma luz, todos os atos dos homens, pois estes se contradizem comumente e a tal ponto que não parecem provir de um mesmo indivíduo”.
Somos, todos, alguns mais e outros menos, contraditórios. Eu, obviamente, sou e já confessei, publicamente, em mais de um texto, essa propensão à contradição. É inevitável. É impossível levarmos uma vida rigorosamente planejada, a régua e compasso eu diria, em que tudo funcione conforme o figurino, sem sair nada, nada mesmo, do plano pré-traçado.
Dependemos das circunstâncias, que são, via de regra, imprevisíveis e, portanto, aleatórias. Por conseqüência, somos por isso (ou também por isso) constantemente incoerentes. Somos capazes, em determinadas ocasiões, de atos de extrema grandeza, altruísmo e generosidade e, no momento seguinte, praticamos ações mesquinhas, quando não delituosas, que além de nos surpreenderem, causam pasmo e horror em quem acredite nos conhecer (pois ninguém conhece de fato ninguém), que não julgava que fôssemos capazes de agir dessa forma.
*Pedro J. Bondaczuk é jornalista e escritor, autor dos livros “Por uma nova utopia”“Cronos e Narciso” e “O país da luz”.

E-mail: pedrojbk@bestway.com.br
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