Foi aprovada recentemente em primeiro
turno na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que
cria a figura do orçamento impositivo no país. Isso significa um
substancial aumento de poder nas mãos dos parlamentares para decidir sobre como
gastar o dinheiro público. Por: Henrique Subi
Entendendo
Essa condição sempre descontentou os
deputados e senadores, que viam muitas vezes suas promessas de campanha serem
barradas pelo Governo e arcavam com todo o custo político dessa situação. Se a
PEC for aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, o Orçamento nacional
passará a ser impositivo e não mais autorizativo, ou seja, o Palácio do
Planalto será obrigado a acatar as emendas parlamentares à lei orçamentária.
Resultado: a administração da receita e da despesa pública pela Presidência da
República fica ainda mais reduzida e aumenta-se o poder de decisão dos
deputados e senadores.
Vale ressaltar que o Governo tentou
articular uma alteração no texto para que ficasse garantido que 30%, no mínimo,
das emendas parlamentares fossem destinadas a área da saúde, atentendendo aos
clamores da população que foi às ruas no mês de junho. Não houve sucesso.
A política, de forma geral, tem
conceitos éticos próprios, o que normalmente a distancia da população em
geral. É bastante difícil entender as razões e a forma de realização de certas
manobras e alianças realizados em Brasília. Ao menos em teoria, nada há de
errado nisso, desde que usado com honestidade e com vistas ao bem comum.
Dizemos isso para enxergar essa nova
PEC por duas perspectivas diferentes. Sempre dissemos que o Brasil sofre com
uma inversão de prioridades no processo eleitoral, na qual o povo acredita
cegamente que seu voto mais importante é para os cargos do Poder Executivo:
Presidente, Governador e Prefeito. Todos lembram em quem votaram para essas
funções, mas poucos prestam atenção em seus votos para o Legislativo:
Deputados, Senadores e Vereadores. Isso é ruim, porque o Executivo somente
aplica a receita pública na forma prevista na Lei Orçamentária, que é formulada
pelo Poder Legislativo. Em última análise, são dos Deputados e Senadores que
distribuem o dinheiro entre as diversas ações e programas voltados à população.
E isso é bom, considerando que o Poder Legislativo é um colegiado formado por
mais de 500 representantes, razão pela qual, ainda que em tese, suas decisões
são fruto de amplos debates entre pessoas de alinhamentos políticos
diferentes. Presume-se que sejam posturas mais maduras; logo,
entregar-lhes o poder de impor ao Executivo a forma de aplicação da
receita pública soa como algo razoável.
O problema é a crise
de credibilidade que atravessa o Congresso Nacional nos dias atuais.
Infelizmente, não conseguimos acreditar que os parlamentares irão cuidar para
que suas emendas ao Orçamento destinem-se às necessidades mais prementes de
seus eleitores. Entre indas e vindas, elas acabam sendo utilizadas para fins
eleitorais (ou “eleitoreiros”, seria melhor dizer) e concentradas sem qualquer
planejamento nos anos em que ocorre o pleito. Enfim, essa legislatura em causa
própria que o Congresso está dando marcha pode ser sua redenção ou afundar
ainda mais o pouco crédito que ele ainda detém junto aos cidadãos.
Por: Henrique Subi
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