“No
Brasil, é de praxe fazer o discurso de defesa do Sistema Único de Saúde (SUS),
enquanto os serviços vão sendo privatizados”, afirma colunista. Para ele,
candidatos em outubro não serão explícitos na defesa da privatização
Por: Dr. Rosinha
A palavra
insensibilidade está presente quando o serviço privatizado é algum serviço
social ou de direito fundamental, como, por exemplo, a saúde. Ter o direito a
saúde é fundamental e deveria ser natural do cidadão e da cidadã.
No
Brasil, é de praxe fazer o discurso de defesa do Sistema Único de Saúde (SUS),
enquanto os serviços vão sendo privatizados, como é caso das gestões de PSDB e
DEM. No estado de São Paulo, privatizam com o nome de Organização Social (OS).
Infelizmente, a privatização de serviços de saúde não é privilégio de políticos
de direita. Muitas vezes, governantes que se dizem de esquerda têm a mesma prática.
Em 2013,
o debate sobre a privatização dos serviços de saúde teve forte presença na
Espanha, governada pelo Partido Popular (PP). A direita espanhola, por meio do
PP, vem privatizando todos os serviços fundamentais a vida do cidadão e da
cidadã. Há 16 anos, o PP vem colocando em prática um modelo de privatização dos
serviços de saúde em Valencia. Tal modelo é conhecido como “Alzira” e em 2013
foi estendido para Madrid e Castilla-La Mancha. Segundo o editorial (Negocio
Sanitario), de 7 de janeiro de 2013, do jornal El País, o Alzira é um
modelo “que vive y se beneficia prácticamente en exclusiva de los fondos
públicos”. Segundo o jornal, em tradução livre, “tal realidade contradiz o
argumento geral de que o sistema público é insustentável”.
Continua o
El País: “O chamado modelo Alzira não é um mero sistema de arrumação com
os centros privados de excelência. As duas empresas, Capio e Ribera Salud, que
fazem a gestão dos hospitais e centros de saúde pública, praticamente em
oligopólio, nasceram e detêm o grosso da arrecadação nos recursos públicos”
(tradução livre). “Ambas obtienen beneficios millonarios que no revierten en
los contribuyentes, sino en los accionistas de tales conglomerados”
(negrito meu).
O El
País não é um jornal de esquerda. Aliás, é um crítico ferrenho
principalmente da esquerda na América do Sul. Portanto, sua crítica ocorre
porque o PP já passou dos limites. No editorial, El País questiona
a falta de transparência nas contas e a estrutura montada, que dificulta a
supervisão desses serviços.
Os
governantes alegam que as empresas privadas são mais baratas para o atendimento
à saúde. Afirmam que a pública custa 600 euros anuais por pessoa, enquanto que
a privada 441 euros. No entanto, em 2012, a comunidade de Valencia pagou 639
euros por habitante para a empresa que gestiona o modelo Alzira e ela ainda
alega que é insuficiente.
No fim de
dezembro de 2012, o Parlamento Regional (Madrid), cuja maioria é do PP, aprovou
o orçamento de 2013 que incluiu a privatização de seis hospitais inaugurados em
2008, portanto novos, sem necessidade de nenhum investimento. O orçamento
também previa a privatização de 27 centros de saúde. Os seis hospitais e os 27
centros de saúde são responsáveis pelo atendimento de um e meio milhão de
pessoas. Esse é o maior projeto de privatização da saúde da Espanha.
As
parcerias público-privadas (PPP), muitas vezes, podem servir como caminho para
a privatização, como está ocorrendo na Espanha. Esses seis hospitais foram
construídos com esse modelo. O contrato assinado obriga o poder público a pagar
uma espécie de aluguel mensal à empresa construtora. Já para a gestão dos
centros de saúde, o governo de Madrid força os médicos e enfermeiras a
constituírem empresas. Serão demitidos e o contrato passará a ser feito entre o
Estado e essas empresas.
Dou o
exemplo da Espanha porque o debate também ocorre no Brasil. Os serviços de
Saúde da Espanha estão sendo privatizados por meio das PPPs. Essas parcerias
são um modelo de entrega do público para o privado e devem ser debatidas esse
ano durante o processo eleitoral. Acredito que nenhum candidato, apesar de
defender as PPPs, vai explicitar a posição a favor das privatizações. Mas, como
já passamos por isso, temos que ficar alertas.
Por: Dr. Rosinha, Congresso em
Foco
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