“Ainda não há nenhuma prova” contra Moraes e alerta para risco de o jornalismo “substituir a Justiça”, afirma jurista


 O jurista e professor Pedro Serrano afirmou que “até agora, francamente, eu não vi materialidade” contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, ao comentar a onda de denúncias e especulações envolvendo a atuação do magistrado e o caso do Banco Master. Serrano sustentou que, embora a acusação seja grave e precise ser tratada com seriedade, não há elementos concretos divulgados que sustentem qualquer medida extrema , como impeachment, abertura de inquérito sem justa causa ou devassa na relação entre advogados e clientes.

Ao longo da conversa, Serrano insistiu que o país precisa reagir com racionalidade para evitar repetir padrões que marcaram a história recente brasileira, quando denúncias sem lastro probatório foram transformadas em campanhas com enorme impacto político e institucional.

“A acusação é gravíssima”, mas exige prova e cautela

Serrano destacou que a denúncia é de natureza extremamente séria, porque envolve a hipótese de um ministro do Supremo atuar em favor de interesses privados. “A acusação é gravíssima. Se for verdadeiro, o ministro não pode continuar ministro supremo. Ponto.”

Ao mesmo tempo, ele advertiu que, justamente por ser grave, o caso exige todo cuidado: “Por isso mesmo, teria que haver todo cuidado ao lidar com ela.”

Segundo o jurista, o que se viu, porém, foi uma escalada apressada. Ele relatou que ficou assustado ao observar, logo após a publicação inicial baseada em fontes sigilosas, a reação de setores da imprensa defendendo punições e impeachment: “Logo no dia seguinte, outros jornalistas da Globo… já vieram falando impeachment do ministro, etc. Quer dizer, surge uma notícia com base em sigilo… depois já se fala impeachment, processo, crime.”

Serrano comparou o movimento a práticas já conhecidas do período da Lava-Jato e do golpe de Estado contra Dilma, quando narrativas midiáticas passaram a se comportar como se fossem prova e sentença. “Eu falei: ‘Nossa, essa história eu já vi na Lava-Jato, no impeachment de Dilma’.”

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