O baterista Marcelo Bonfá, um dos fundadores da Legião Urbana, criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao comentar política em entrevista à Veja. Questionado sobre o presidente Lula (PT) e seu antecessor, o músico afirmou: “Ouvi muita atrocidade vindo do Bolsonaro e do partido daquelas pessoas. Atacou todas as minorias. Nunca vi Lula falar isso. Só acho que politicamente estão todos com desafios, tem muitos desafios na política em si, seja para quem for”.
Apesar da crítica a Bolsonaro, o baterista afirmou não se identificar integralmente com nenhum campo político. Segundo ele, sua visão é resultado de uma mistura de posições e de uma formação iniciada ainda na adolescência em Brasília, ao lado de Renato Russo.
“Tenho minha posição política, mas ela não é nem um nem outra, é uma mistura. Lá em Brasília, quando era adolescente, o Renato brincava que a gente era democracia da sensibilidade. A gente tinha 14 anos”, relatou.
O músico também comentou a pressão para que artistas declarem voto ou atuem como guias eleitorais do público. Para Bonfá, ser artista não obriga ninguém a assumir o papel de formador de opinião em disputas eleitorais.
“Acho que quando você faz uma (escolha de não falar em quem votar), dizem: ‘Ah, está em cima do muro’. Falo: ‘Cara, e daí?’. Só porque sou artista, tenho que ser formador de opinião? Tenho que ser um formador de opinião em outras coisas, coisas, sei lá, mais nobres, entende? ‘Ah, fulano vai votar em fulano, vou votar também’. Não, ninguém conhece ninguém”.
Na entrevista, Bonfá também falou sobre o uso de “Que País É Este” por bolsonaristas em atos políticos. O baterista disse não se incomodar com a apropriação da música por diferentes grupos e destacou que a composição de Renato Russo nunca foi partidária.
“Cara, essa música nunca foi partidária, nem de direita, nem de esquerda. A gente fala de um contexto que serve para os dois. E usam isso inevitavelmente, mas não estou nem aí (sobre ser usada pela direita). Estou nem aí. Pode fazer o que quiser, quem tiver a sensibilidade de perceber, e muita gente tem, percebe sobre o que ela fala”, afirmou.
Para o fundador da Legião Urbana, a canção se tornou uma obra popular e segue atual por tratar de problemas do Brasil. “Para mim tanto faz. Agora, acho que é uma música jovem, é das pessoas do Brasil, do brasileiro, de todo mundo. E quem está lá dentro canta e quem está fora canta, uma música que continua atual, infelizmente, e isso é assustador”, prosseguiu.
Fonte: DCM
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