A tensão acumulada nas falhas de San Andreas e San Jacinto, no sul da Califórnia, chegou ao maior nível dos últimos mil anos em trechos, segundo estudo publicado na revista “Journal of Geophysical Research: Solid Earth”. A pesquisa reconstruiu por computador a história sísmica da região para estimar quanta energia segue represada.
A San Andreas tem cerca de 1,3 mil quilômetros e marca o limite entre as placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte. A falha está ligada a tremores históricos e alimenta a expectativa do “Big One”, o grande terremoto esperado no oeste dos Estados Unidos.
A área estudada inclui Los Angeles, San Bernardino, Riverside e o Vale de Coachella. Ainda assim, os autores ressaltam que o trabalho não é uma previsão e não aponta data para um grande tremor.
“Isso não significa que as falhas precisam se romper imediatamente ou em breve, e não nos dá uma data, um ano ou uma contagem regressiva para o próximo terremoto”, afirmou ao g1 a geofísica Liliane Burkhard, da Universidade de Berna, na Suíça.
O modelo reuniu mil anos de registros sísmicos a partir de sedimentos deslocados, anéis de árvores e outras evidências geológicas. Os resultados são estimativas, não medições diretas, e dependem do deslocamento das falhas e da profundidade de trechos travados.

O ponto de maior atenção é o Cajon Pass, a menos de 100 quilômetros de Los Angeles, onde a parte sul da San Andreas e a parte norte da San Jacinto se aproximam. Segundo os pesquisadores, a região pode interromper um rompimento ou permitir que ele avance de uma falha para a outra.
“Nossos modelos indicam que os níveis atuais de tensão em segmentos importantes dos dois lados estão ficando mais semelhantes. Isso pode facilitar a continuação de um rompimento que chegue ao Cajon Pass”, alerta Burkhard.
Ela reforça que o cenário é apenas uma possibilidade física. “Não é uma previsão de que o próximo terremoto necessariamente seguirá esse caminho”, afirmou.
Pelo estudo, um tremor que atravessasse o Cajon Pass poderia alcançar magnitude entre 7,4 e 7,8 e afetar área maior do que um evento restrito a uma única falha. Ainda assim, isso não significa que um terremoto desse porte esteja prestes a ocorrer.
A pesquisa classifica partes do sistema como “criticamente carregadas”, expressão usada para indicar tensão alta em comparação com o último milênio. “A mensagem principal é preparação, não previsão”, disse Liliane Burkhard.
Fonte: DCM
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