“Bonesmashing”: a nova obsessão estética que envolve marteladas no rosto

 


Uma prática chamada “bonesmashing” ganhou visibilidade nas redes sociais ao prometer mudanças no formato do rosto por meio de impactos repetidos com martelo no queixo, nas maçãs do rosto e na mandíbula. Um dos nomes mais conhecidos desse universo é Braden Peters, de 20 anos, que usa o nome Clavicular nas redes e afirma seguir a técnica desde a adolescência, quando a própria mãe chegou a confiscar seu martelo para tentar interromper o hábito.

O bonesmashing surgiu dentro do looksmaxxing, subcultura online predominantemente masculina voltada ao autoaperfeiçoamento estético extremo. Adeptos dividem as práticas entre “softmaxxing”, com cuidados como skincare, dieta e exercícios, e “hardmaxxing”, que inclui métodos mais arriscados, como cirurgias, injeções e tentativas de alterar a estrutura óssea. No caso do bonesmashing, a justificativa costuma se apoiar em uma leitura distorcida da Lei de Wolff, segundo a qual ossos saudáveis se adaptam a cargas mecânicas. “A premissa básica, de que carga mecânica repetitiva pode influenciar a densidade ou remodelação óssea, não está totalmente desconectada da ciência”, afirma Joshua Rosenberg, cirurgião plástico facial e professor associado de otorrinolaringologia no Hospital Mount Sinai. “O problema é que isso foi completamente mal compreendido e aplicado aqui.”

Médicos alertam que a prática pode causar fraturas, assimetria facial, tecido cicatricial, lesões vasculares e danos neurológicos. O médico brasileiro Ricardo Grillo, autor de uma das cartas enviadas à Revista de Estomatologia e Cirurgia Oral e Maxilofacial sobre a disseminação do bonesmashing, diz que os riscos “abrangem uma série de lesões maxilofaciais graves” e podem provocar “desfiguração estética, comprometimento funcional e outras possíveis consequências de longo prazo”. Fóruns de looksmaxxing ainda compartilham guias com rotinas de batidas e até recomendações para esconder hematomas, enquanto especialistas destacam que muitos adeptos são jovens e que procedimentos estéticos faciais nessa fase podem trazer dor crônica, reabsorção óssea e distúrbios neurossensoriais.

Fonte: DCM

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