Vila que desapareceu sob a areia após destruição da vegetação no litoral

 


As dunas de Itaúnas, em Conceição da Barra, no norte do Espírito Santo, escondem os restos de uma antiga vila que teve casas, igreja, escola, padaria, cemitério e centenas de moradores. A areia avançou ao longo de décadas, cobriu quintais, ruas e construções, até que os últimos moradores deixaram o local no início da década de 1970. Hoje, as dunas passam de 30 metros de altura e a nova Vila de Itaúnas, reconstruída na margem sul do Rio Itaúnas, reúne cerca de 2 mil moradores.

O técnico em meio ambiente Tarciley Gonçalves de São José, do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, atribui o soterramento ao desmatamento da vegetação de restinga. “O principal motivo foi o desmatamento. Tecnicamente, é o que a gente defende. A restinga tem a função de estabilizar a areia. Quando essa vegetação foi retirada, o vento passou a transportar os sedimentos em direção à vila”, afirmou. A educadora ambiental e pesquisadora Veratriz Souto Campos, nascida em Itaúnas, relata que o processo durou cerca de 40 anos e avançou à medida que moradores retiravam vegetação para lenha, limpeza de terrenos e festas.

A antiga vila fica dentro do Parque Estadual de Itaúnas, criado em 1991, que reúne praias, manguezais, restingas, lagoas, sítios arqueológicos e mais de 25 quilômetros de litoral preservado. O parque recebe cerca de 100 mil visitantes por ano, especialmente no verão, no Carnaval e durante o Festival Nacional de Forró de Itaúnas, cuja 24ª edição está prevista para 18 a 25 de julho de 2026. A unidade também abriga 23 sítios arqueológicos identificados, 16 deles de origem indígena, e orienta visitantes a não recolher objetos, plantas ou materiais encontrados nas trilhas.

DCM

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