O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), divulgou um novo alerta sobre a evolução do fenômeno El Niño no Brasil.
O Boletim nº 2, divulgado nesta sexta-feira (31), reúne o monitoramento e as projeções para o fenômeno ao longo de 2026. Segundo as instituições, o cenário exige atenção para a possibilidade de impactos hidrometeorológicos em diferentes regiões do país.
De acordo com o documento, as projeções indicam que o El Niño deve continuar e ganhar força durante o segundo semestre. O alerta mais significativo está relacionado à possibilidade de o fenômeno atingir uma intensidade excepcional nos próximos meses.
“As projeções climáticas indicam a manutenção e a intensificação do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com elevada probabilidade de que o evento atinja intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão”, afirma o boletim.
El Niño pode aumentar risco de eventos extremos
A intensificação do fenômeno pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes áreas do território brasileiro. Os impactos, contudo, não serão necessariamente iguais em todas as regiões e dependerão da combinação entre as condições do oceano e da atmosfera.
O próprio boletim ressalta que “esse cenário aumenta a probabilidade de ocorrência de impactos hidrometeorológicos em diferentes regiões do Brasil”. A intensidade e a distribuição desses impactos ainda dependerão da evolução das condições atmosféricas e oceânicas.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno altera a circulação atmosférica e pode modificar os regimes de chuva e temperatura em várias partes do planeta, inclusive na América do Sul.
No Brasil, episódios de El Niño podem estar associados a alterações importantes no regime de precipitação. Entre os efeitos observados em diferentes eventos estão o aumento das chuvas no Sul e períodos mais secos em partes do Norte e Nordeste. O fenômeno também pode contribuir para temperaturas mais elevadas e períodos de calor intenso em determinadas áreas.
Isso não significa, porém, que todos esses efeitos ocorrerão necessariamente da mesma forma em 2026. A distribuição dos impactos dependerá da evolução específica do evento e das condições atmosféricas observadas nos próximos meses.
Órgãos recomendam atenção aos alertas
Diante do cenário projetado, as instituições responsáveis pelo boletim recomendam que a população acompanhe regularmente as informações oficiais sobre as condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas.
“Recomenda-se o acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas, bem como das previsões, avisos e alertas emitidos pelos órgãos oficiais”, orienta o documento.
A recomendação é especialmente importante para moradores de áreas sujeitas a enchentes, deslizamentos, enxurradas e outros eventos associados a condições meteorológicas severas.
O boletim também orienta a população a manter atualizado o cadastro para receber avisos da Defesa Civil e a conhecer previamente as áreas de risco e as rotas de fuga existentes na região onde vive.
“À população, orienta-se manter atualizado o cadastro para recebimento dos alertas da Defesa Civil, conhecer as áreas de risco e as rotas de fuga de sua localidade e adotar as medidas de autoproteção sempre que houver previsão ou ocorrência de eventos adversos”, afirma a nota.
Monitoramento continuará ao longo de 2026
Apesar do alerta sobre a possibilidade de intensificação do El Niño, as instituições destacam que as previsões serão atualizadas conforme novas informações sobre o comportamento do oceano e da atmosfera estiverem disponíveis.
O acompanhamento será realizado de forma conjunta pelos órgãos responsáveis, com novas atualizações técnicas ao longo dos próximos meses.
Segundo o boletim, “as instituições participantes continuarão realizando o monitoramento das condições associadas ao El Niño e disponibilizando atualizações periódicas das informações técnicas e das previsões”.
A intenção é fornecer informações que possam orientar governos e população na adoção de medidas preventivas diante de possíveis eventos extremos.
O alerta, portanto, não representa uma previsão de que uma determinada região necessariamente enfrentará um desastre, mas indica um aumento do risco de alterações climáticas e de eventos hidrometeorológicos associados ao fortalecimento do fenômeno. Por isso, o acompanhamento das atualizações oficiais será fundamental durante o segundo semestre e o início do verão.
Fonte: MSN

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