Entenda como trajes de cobre ajuda na reabilitação de pinguins no Chile

Solução foi desenvolvida a partir de uma tecnologia que já era utilizada na medicina veterinária para tratamento de cães e gatos



 Pinguins feridos que passam por tratamento no Chile ganharam uma ajuda inusitada: pequenos trajes vermelhos feitos com fibras que incorporam cobre e zinco. A roupa foi desenvolvida para proteger as lesões e evitar que os próprios animais arranquem pontos ou agravem os ferimentos durante a recuperação. As informações são do jornal El Tiempo.

A solução foi criada a partir de uma tecnologia que já era utilizada na medicina veterinária para cães e gatos. O desafio, desta vez, foi adaptar o modelo ao corpo dos pinguins, que conseguem alcançar diferentes partes do próprio corpo com o bico graças à flexibilidade do pescoço.

O problema é especialmente delicado quando os animais chegam a centros de reabilitação com cortes e ferimentos que precisam de suturas. Ao tentar mexer na região lesionada, eles podem retirar os pontos e reabrir a ferida, dificultando o tratamento.

A iniciativa reúne a ONG Conservación Humboldt e a empresa Kimba Vet, com participação do Buin Zoo nos primeiros testes. A equipe desenvolveu modelos específicos depois de coletar medidas dos animais e observar como eles se movimentavam.

O tecido não tem aparência metálica. Pequenas partículas de cobre e zinco são incorporadas às fibras, mantendo a flexibilidade necessária para que os pinguins consigam se movimentar normalmente.

Além de funcionar como uma barreira física contra as bicadas, a tecnologia tem propriedades que podem favorecer a recuperação. Segundo os responsáveis pelo projeto, o cobre ajuda a impedir a proliferação de bactérias e fungos, enquanto o zinco contribui para a formação de novos vasos sanguíneos, processo importante para a regeneração dos tecidos.

Os primeiros testes foram realizados com cinco pinguins das espécies Humboldt e Magalhães atendidos no Centro de Conservação Humboldt, em Coquimbo. Quatro dos animais apresentavam ferimentos provavelmente relacionados à atividade humana, principalmente ao emaranhamento em redes de pesca.

Para os veterinários, encontrar uma maneira de proteger as feridas é importante porque os pinguins não podem permanecer enfaixados por longos períodos. O traje permite cobrir a região lesionada sem impedir completamente os movimentos do animal.

O pinguim-de-Humboldt, uma das espécies envolvidas nos testes, enfrenta uma situação particularmente preocupante. A população da espécie vem diminuindo e o Chile abriga cerca de 80% dos exemplares restantes no mundo. Estimativas citadas pela Reuters apontam que o número caiu de aproximadamente 45 mil animais no fim dos anos 1990 para menos de 20 mil atualmente.

A tecnologia ainda está em fase de avaliação, mas os pesquisadores esperam que os novos trajes possam se tornar uma ferramenta adicional para o tratamento de animais marinhos resgatados e aumentar as chances de que eles retornem à natureza após a recuperação.

R7

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