"Um físico estabeleceu a data definitiva para o fim do mundo". Assim escreveu, sem rodeios, o 'The New York Times' em 4 de novembro de 1960, sobre o fim da humanidade.
Em 13 de novembro de 2026, a humanidade deveria chegar ao seu suposto fim. Não por causa de uma guerra, asteroide, bomba, inteligência artificial rebelde ou revelação divina, mas por algo mais "simples": o excesso de gente.
Esse era o cenário inquietante apresentado em um artigo publicado em 1960 na prestigiosa revista científica Science, intitulado, sem rodeios: "O dia do Juízo Final: sexta-feira, 13 de novembro do ano 2026 d.C.". O texto foi assinado pelo físico austríaco Heinz von Foerster, pioneiro da cibernética, e por dois de seus alunos, Patricia Mora e Lawrence Amiot.
"Nossos trinetos morrerão esmagados"
O raciocínio era um tanto provocador. Enquanto outras espécies podem encontrar limites para o seu crescimento à medida que a população aumenta – como se observaria anos mais tarde nos experimentos do etólogo John B. Calhoun, nos quais uma colônia de camundongos entrou em colapso social apesar de dispor de comida e água em abundância –, os seres humanos, segundo Von Foerster e seus colegas, poderiam superar essas barreiras graças à sua capacidade de colaboração.
Nesse sentido, os pesquisadores argumentavam que uma população humana mais numerosa poderia facilitar a cooperação e, com isso, um crescimento demográfico cada vez mais acelerado.
Para construir seu modelo e sustentar a ideia, os pesquisadores reuniram 24 estimativas da população mundial referentes aos últimos 2 mil anos. Ao projetar matematicamente essa tendência para o futuro, o modelo apresentou um resultado extraordinário: a população se aproximaria do infinito em 13 de novembro de 2026. "Nossos trinetos não morrerão de fome. Morrerão esmagados", escreveram.

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