Transgênico: ração genética para os pobres

A área global cultivada com sementes transgênica ultrapassa os 70 milhões de hectares na última década, informou o internacional service for the Acquisition of Agri-biotecb-Applications (ISAAA) baseado em Nova York dos Estados Unidos.
O levantamento, considerado um dos mais respeitados do mundo por fontes do setor de biotecnologia, pela primeira vez incluiu o Brasil, que teve sua área de transgênico calculada em mais de 3 milhões de hectares em 2009.
Assim, a lógica da produção transgênica na verdade é a de que, os pobres ficariam com a alimentação geneticamente modificada (mais em conta) e os ricos com os alimentos orgânicos (por que podem pagar), livres de química e da manipulação genética. Esta é uma das principais conclusões da oficina “Transgênica no mundo”, realizada recentemente em Porto Alegre-RS, no Portal da CUT e parceiros.
O debate que foi organizado pela Contac (Confederação Nacional dos trabalhadores e indústrias alimentícia) e Cia. Ainda contou com a participação de lideranças e militantes do movimento ambientalista e social e até de um representante do frigorífico Perdigão.
Luzia Fati, diretora nacional da CUT, representou a central e manifestou preocupação quanto ao fato de que os transgênicos sofram restrições nos países desenvolvidos, destaque para os Europeus, enquanto nos países pobres seu cultivo é incentivado. Luzia alertou para as generosas contribuições do setor empresarial para linhas de pesquisa nesta área, extremamente dispendiosas, ao passo que o estado se omite no financiamento de estudos em relação á agricultura sustentável, com tratamento integralmente orgânico dos alimentos. Tal disparidade coloca nas mãos de poucos e grandes empresas mundiais o monopólio do conhecimento na área, disse a dirigente da CUT. Por isso defendeu a necessidade urgente de popularizar o debate sobre o tema.
Transgênicos, é mentira como solução para a fome no mundo
Gerardo Iglesias lembrou que a Argentina é o segundo produtor mundial de transgênico e, apesar disso, um em cada três Argentino passa fome. Isso mostra que a justificativa de que os transgênicos resolveriam o problema da fome é completamente falsa.
Júlio Rulli, do grupo refeição rural da Argentina, foi o próximo a intervir, alertando para os efeitos nocivos do cultivo da soja em solo Argentino, sejam transgênico ou não. Segundo Rulli, a soja é um verdadeiro sistema mundial voltado para o controle populacional, já que seu consumo está voltado principalmente para os mais pobres. Ainda segundo ele, a soja tem excesso de estrógeno, causando problemas hormonais sérios. A população indígena é uma das principais vítimas dessa característica do alimento. Entre os índios, há inúmeros registros de índios com mamas grandes freqüência de hipotireoidismo, alta incidência de cáries e manifestação de osteoporose em crianças.
Em sua intervenção Siderley de Oliveira, preferiu enfatizar o aspecto econômico, alertando para o fato de que a utilização dos organismos geneticamente modificados exige grandes propriedades e pouco uso de força de trabalho, portanto estimula a concentração de terras, o êxodo rural e o desemprego no campo. Denunciou o contrabando de soja transgênica admitido pelo próprio presidente da Farsal, na grande imprensa. Também defendeu a rotulagem pública. Segundo ele, “rotulagem através de entidades privadas dá espaço para irregularidades e corrupção”.
Alimento natural para os ricos, Ração transgênica para os pobres
Sebastião ribeiro, da fundação Juquira Candirú, iniciou sua participação lembrando “que a Europa rica e desenvolvida não quer os transgênicos, mas que para a África, pobre e dependente, foram oferecdos milhões de toneladas de milho transgênico, pronta e dignamente recusadas pelos africanos”. Pinheiro afirmou que um fato como este denuncia os planos de estabelecer dois tipos de alimento para o mundo. Um natural, orgânico e caro, seria destinado para os países ricos. Outro, transgênico, perigoso e pouco nutriente, vendido como uma espécie de ração para os países pobres. Haveria uma dupla cidadania também em relação a dieta alimentar.
Esse tratamento discriminatório já se manifesta, segundo Pinheiro, no fato de que hoje apenas 9 tipos de cereais alimentam toda a população mundial. Sendo que, desse total, 60% são constituídos de arroz. Uma realidade imposta pelo agronegócio, que, em nome de altas taxas de lucros, procura uniformizar a dieta, causando, por conseqüência, a diminuição de seu poder nutritivo.
Sebastião Pinheiro garante: os transgênicos são a maior mentira do século
Um aspecto interessante da intervenção de pinheiro foi a denúncia da natureza falaciosa dos transgênicos como avanço tecnológico, “trata-se de uma fraude”, disse ele. “os transgênicos são a maior mentira do século. Um blefe”. O que foi feito foi a mudança de matriz biológica (a genética). E esta última exige investimentos da ordem de centenas de milhões de dólares. Somente ao alcance de poucas e poderosas corporações internacionais. São uma imposição para concentrar o lucro e monopolizar ainda mais o mercado. A sabedoria das tradições populares do mundo inteiro conhece mais sobre a natureza  e de como modificá-la respeitando suas leis do que laboratórios e gabinete acadêmicos. Esses últimos tornaram-se em sua grande maioria, extensões dos departamentos comerciais das empresas Monsanto e Cargil.  O produto de suas pesquisas é nocivo ao ser humano e ao ambiente, concentrador de riqueza e de pouco valor nutritivo.
Finalizando, Sebastião Pinheiro defendeu uma grande convocação ao movimento social em geral pela conscientização da população, principalmente agricultores  e trabalhadores do campo, a denúncia e desmascaramento dos acadêmicos a serviço do poder econômico e a pressão junto aos governos para banir os transgênicos da produção alimentar do planeta.
Base de dados: WWW.cut-rs.org.br/ valor econômico
 
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