Sofrimento...

Resultado de imagem para o sofrer fotosA opção por sofrer é um vício

Se você é daqueles que sofre por antecipação, é preocupado crônico, vive se queixando de tudo e de todos, acha a vida um calvário, se vitimiza, tem a síndrome do coitadinho; talvez possa se interessar por novidades que a ciência tem a te ensinar.
Você, infelizmente, é portador de um terrível vício: a distorção negativa de pensar. Pior: você vai construindo, dia a dia, ano a ano, uma realidade paralela negativa e irreal, portanto, delirante, que vai criando um mundo inabitável. Estressante, cheio de antecipadas tragédias (que nunca acontecem), de um futuro de ruínas sempre a ser temido. Não esqueçamos que pela filosofia quântica, “pensar equivale a agir”. Assim, mentes que projetam via pensamentos antecipatórios sofridos e pessimistas, acabam por realmente ativar o cérebro que responde ao estímulo como se fosse verdadeiro. Afinal, ele é um mero órgão respondedor de estímulo, sem saber distinguir o imaginário do sonhado ou do vivido.
O pessimista, pois, é sempre um criador de uma realidade sombria: o fim do mundo está próximo; o que vai ser dos filhos; se viaja, teme desastre; se o filho sai, vai ter assalto; a crise vai desempregá-lo; faltará dinheiro. Enfim, habita mentalmente um mundo de tragédias imaginárias. Literalmente, para essa grande maioria, o inferno é aqui, agora, o tempo todo.
Se ficasse apenas no discurso aflito, repetitivo, na rezação sem fé, menos mal. Mas exames como tomografia ou ressonâncias funcionais ou PETscan mostram que redes neuronais vão se fixando, dando um nó, se hiperconectando a determinadas áreas de uma região do cérebro chamado sistema límbico, ativando uma área chamada de desprazer ou punição. Tal qual uma academia de ginástica, essa área de tanto ser exercitada, acessada, vai ficando hipertrofiada, “musculosa”, forte, viciada nesse exercício diário de criar um vício doentio de repetir conteúdos ruminantes de preocupações, sofrimentos, estresse, saindo de cada poro, suando de ansiedade, exausta de angústias monotemáticas.
Pronto. A cada dia a carga de peso vai aumentando. Carregam-se nas costas sacos de pedras recheadas de culpas, medos, inseguranças, tristezas, mágoas. Arrastam-se correntes de ansiedade, pensação disparada, sofrimentos antecipados. Tal qual um fumante ou alcoólatra, fazem sofrer familiares, vítimas indiretas deste vício insensato da negatividade, dos sofrimentos sem sentido. A pessoa dá mil desculpas e diz que não consegue controlar essa penosa pensação. Sabe que faz mal, mas não consegue mudar.
E é verdade. Tanto que virou epidemia. Pois, o mundo que desmorona a nossa frente faliu. Social, política e economicamente. Mas, principalmente, em conceitos. Somos bombardeados por notícias desumanas, condenados a cadeira estática em frente de telas. Prisão domiciliar. Escape por redes sociais onde nos alienamos, ampliando raiva, ódios, inveja, infantilidade. E é daí, que vêm as ótimas notícias! Cada um de nós é senhor de seu destino e autor de sua história. Se pudermos rever padrões de pensamentos, comportamentos, relacionamentos, mudamos (reparem nisso) padrões das redes de neurônios. Esses podem se desconectar, se reconectar, por exemplo, desviando da negativa área do desprazer e punição para área do prazer ou recompensa, no tal sistema límbicos, das emoções e controle do estresse, onde mora um mundo de satisfação, recompensa, relaxamento, passaporte para alegria. Sim, meus pessimistas de plantão, a grande novidade é que é absolutamente possível mudar os padrões cerebrais, por consequência, mentais, possibilitando mudanças incríveis no comportamento, relacionamento e afeto, de qualquer um de nós.
Psicoterapias, meditação, vivências espirituais, medicação quando bem prescrita, sono adequado, atividades aeróbicas, buscas de ambientes abertos, contato com natureza, entre tantas outras “descontaminações”, desaceleração mental, mudanças do modo de vida, desconectar-se para contatos humanos estão entre os caminhos que mudam a percepção de realidade. Isso gera uma rearrumação que vai desde redesenhos neuronais, alterações eletrônico químicas cerebrais até respostas muito mais serenas, harmônicas e prazerosas a estímulos que antes gerariam raiva, nervosismo, mágoa, agressividade e outros comportamentos desgastantes e doentios. É fundamental debruçar sobre uma nova área das neurociências: plasticidade cerebral! Dica: Veja o documentário “Reconstruindo o Cérebro”.
Fonte: Jornal O TEMPO
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