A cada ano que se inicia temos a sensação de que cada vez mais a
imagem polĂtica do Brasil se deteriora. Com tantos desmandos, corrupção,
incompetĂȘncia administrativa, nĂłs eleitores sentimos que o conteĂșdo
confiança desapareceu nas intençÔes eleitorais.
Por: Julio Verdi
Em paĂses da Europa e nos Estados Unidos o comparecimento do eleitor
às urnas é facultativo. Alguém pode citar diferenças culturais entre o
Brasil e tais paĂses. Mas duvido muito que a grande massa lĂĄ de fora se
interaja tĂŁo intensamente nos cenĂĄrios partidĂĄrios e programas de
governos.
Muito se discute sobre a abstinĂȘncia do ato de votar. Mesmo que sendo
um direito próprio, uma campanha séria a seu favor jå teve ferozes
crĂticas por conta de seus detratores.
Usa-se muito tambĂ©m a histĂłria recente do paĂs, onde anos de ditadura
militar assombrou a liberdade geral do cidadão. As campanhas do começo
da dĂ©cada de 80, em prol do direito de votar (as famosas “Diretas JĂĄ!”)
geraram movimentos onde praticamente todas as ĂĄreas da sociedade tiveram
engajamento. O voto popular se transformou no principal sĂmbolo de uma
nova democracia nacional.
O artigo 224 da Lei 4.737, de 1965, diz o seguinte: “Art. 224. Se
a nulidade atingir a mais de metade dos votos do paĂs nas eleiçÔes
presidenciais, do Estado nas eleiçÔes federais e estaduais ou do
municĂpio nas eleiçÔes municipais, julgar-se-ĂŁo prejudicadas as demais
votaçÔes e o Tribunal marcarå dia para nova eleição dentro do prazo de
20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.”.
A nulidade Ă© algo previsto em Lei hĂĄ mais de 40 anos.
Leis mudam, e muitas vezes nem tomamos conhecimento. Embasado nisso,
existe o temor de que, caso a adesĂŁo ao voto nulo cresça em nĂveis
astronĂŽmicos, alguma nova lei poderia imputar ao Congresso o direito de
escolha de governantes por si prĂłprio.
Imagine o custo, em todos sentidos, de uma nova eleição se praticar o que reza o artigo 224?
Imagino que, se implantado no sistema eleitoral o conceito de voto
facultativo, existiria uma debandada em massa do eleitorado. Os poucos
engajados politicamente ou que fazem questĂŁo de praticar seus direitos
sociais, seriam disputados Ă tapa pelos partidos. As campanhas seriam
ainda mais ferozes e focadas.
A questĂŁo toda se origina na grande dĂșvida que paira nas mentes
daqueles que querem um Brasil melhor administrado. Nos Ăąmbitos
municipais, estaduais e federais, o panorama geral dos funcionĂĄrios
eleitos (Presidentes, deputados, senadores, governadores) serĂĄ algum dia
esmagadoramente composto por pessoas sérias, honestas, preocupadas em
fazer o Brasil crescer e dar 100% de qualidade aos serviços sociais ao
povo?
Por: Julio Verdi Ă© blogueiro e escritor underground, como ele mesmo se descreve. Blog http://www.julio-verdi.blogspot.com.br
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