A antiga vila de Tatajuba, em Camocim, no litoral do Ceará, foi soterrada por dunas móveis na década de 1970, obrigando moradores a deixar casas, escola, posto de saúde e igreja. A comunidade era formada principalmente por pescadores e agricultores, e, segundo relatos de moradores antigos, tinha festejos importantes e estrutura que poderia ter se desenvolvido como uma pequena cidade.
Especialistas explicam que o soterramento ocorreu porque a vila foi construída na rota natural de migração das dunas, que avançam pela ação dos ventos e pela falta de vegetação. Segundo o professor Jeovah Meireles, da Universidade Federal do Ceará (UFC), dunas maiores podem se deslocar até 15 metros por ano, enquanto as menores chegam a avançar cerca de 30 metros no mesmo período.
Após o desaparecimento da antiga vila sob a areia, os moradores se deslocaram para áreas vizinhas e formaram o atual distrito de Tatajuba, reconhecido oficialmente em 2025. Hoje, a região integra uma Área de Proteção Ambiental e enfrenta novos desafios, como a pressão do turismo, a especulação imobiliária e a necessidade de preservar dunas, restingas, manguezais e o modo de vida da comunidade tradicional.
DCM
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