Passagem de ciclone tropical raro na Indonésia foi responsável pela morte de dezenas de orangotangos descobertos há poucos anos
Uma única tempestade de proporções catastróficas foi responsável por matar dezenas de indivíduos de uma espécie rara de primata. Durante quatro dias, a passagem de um ciclone provocou chuvas intensas e deslizamentos de terra que provocaram a morte de parte da população de orangotango-de-tapanuli, animal já ameaçado de extinção.
Segundo um estudo publicado esta semana na revista Current Biology, a passagem de um ciclone tropical raro no norte de Sumatra, na Indonésia, em novembro de 2025, foi a responsável pela morte de cerca de 58 orangotangos-de-tapanuli (Pongo tapanuliensis), o que representa 7% da população total conhecida pelos cientistas.
Dados de 2019 apontavam que a espécie era composta por 767 indivíduos; desse total, 581 viviam na floresta que foi varrida pelo ciclone.
As vítimas morreram afogadas, soterradas pelos deslizamentos de terras ou atingidas pelas árvores que desabaram, aponta o estudo.
Os pesquisadores usaram imagens de satélite pré e pós-ciclone com estimativas da densidade populacional de orangotangos para avaliar o impacto das inundações e deslizamentos de terra sobre os primatas. Com os dados, os cientistas identificaram mais de 50 mil “cicatrizes” resultantes da destruição do habitat causada pelos deslizamentos na paisagem florestal.
“Dada a alta densidade (>50.000) de deslizamentos repentinos em encostas de estepes, que causam o colapso da cobertura vegetal e o fluxo de detritos para as redes de drenagem, e a limitada oportunidade de fuga arbórea [através de árvores] durante deslizamentos rápidos, consideramos prováveis as mortes por soterramento, trauma ou afogamento subsequente”, escreveram.
“A perda estimada de 58 orangotangos-de-tapanuli devido a um único deslizamento de terra induzido pelas mudanças climáticas representa um choque demográfico devastador para o grande primata mais raro do mundo”, disse Jatna Supriatna, bióloga da conservação da Universidade da Indonésia, ao jornal britânico The Guardian.
“As mudanças climáticas representam uma ameaça imediata e catastrófica para o grande primata mais raro do mundo”, concluíram os cientistas no estudo.
Além do clima, a espécie é ameaçada pela ação do ser humano na região, como a mineração, plantações de óleo de palma e o desenvolvimento de um grande projeto hidrelétrico.
Os pesquisadores também escreveram que os efeitos a longo prazo da destruição da camada superficial do solo no suprimento de alimentos prejudicarão os orangotangos restantes. Como a camada superficial do solo contém densas redes de fungos que se alimentam de plantas, levará tempo para que as frutas e folhas das quais os orangotangos dependem retornem.
Os orangotangos-de-tapanuli foram classificados como uma nova espécie em 2017, e tornaram-se a espécie de grande primata mais rara já encontrada e a que foi identificada mais recentemente.
R7
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