Maranhão: cardápio inveja ao rei da Babilônia

Castanhas portuguesas e lagosta fresca no cardápio da governadora do Maranhão. É um escárnio aos miseráveis cidadãos maranhenses, cujo estado é um dos mais atrasados e pobres do país. Tem o segundo pior índice de analfabetismo e a pior renda per capita. Seu IDH só é inferior ao de Alagoas, e a mortalidade infantil é a segunda maior do país. E o “Maranhão vai muito bem” e “Um dos problemas que estão piorando a segurança é que o estado está mais rico, o que aumento o número de habitantes”, palavras falaciosas da governadora Roseana Sarney. Enquanto isso, o inferno do Complexo Penitenciário de 
Pedrinhas escancara ao mundo as vísceras putrefatas escamoteadas por nossos governantes e políticos. Por: Júlio César Cardoso

Falta muita seriedade na maioria dos políticos brasileiros, que só querem tirar vantagem dos cargos que exercem. A falta de escrúpulo, de respeito e de toda a sorte de seriedade é, infelizmente, a marca indelével de nossos políticos e administradores públicos. Por que tudo isso existe? Primeiro, por culpa da qualidade de nosso eleitor, que não sabe escolher e não cobra dos mequetrefes eleitos. Segundo, por falta também de um Judiciário atuante, que não age em defesa da equidade social, para condenar políticos oportunistas corruptos e dilapidadores do dinheiro público, ou seja, do contribuinte. A condenação do Mensalão foi apenas uma exceção, que deveria ser a regra. Por isso, prospera o patrimônio da família Sarney, bem como o de outros políticos solertes.

No meio da turbulência de Pedrinhas, o governo do Maranhão decidiu quinta-feira (9) suspender duas licitações, para contratação de empresas que forneceriam gêneros alimentícios. Vejam as iguarias a contratar: 80 quilos de lagosta fresca, 800 quilos de camarão fresco grande, 750 quilos de patinha de caranguejo, 100 unidades de barras de chocolate e 30 quilos de castanhas portuguesas “de primeira qualidade”. Nas duas licitações, seriam gastos mais de R$ 1,1 milhão em alimentos para abastecer, por um ano, a residência oficial da governadora Roseana Sarney, do PMDB, e ainda a casa de veraneio do governo, também na capital do estado, informa a Agência Brasil. Mas, segundo aborda a revista “Veja”, as licitações foram substituídas por outra que solicita caviar e uísque escocês.

Ora, todo esse arsenal de irregularidade no Maranhão, onde a violência aos direitos humanos de Pedrinhas é imoralmente perpetrado à vista dos governos estadual e federal, seria motivo bastante de intervenção não fosse o governo federal, através de suas manobras sujas de cooptação política extrapartidária, ter dado apoio à eleição estadual de Roseana Sarney (PMDB) e precisar dela e do pai, José Sarney, cacique do PMDB, para o seu projeto de reeleição ao Planalto.

Assim, causa perplexidade a “estadista” Dilma Rousseff limitar-se a uma lacônica mensagem em seu Twitter, dizendo que acompanha “com atenção a questão de segurança do Maranhão”, quando deveria, pela gravidade, acenar com a intervenção federal. E por outro lado, obediente à chefe-mor do país, a dita defensora incansável dos direitos humanos (dos bandidos), ministra Maria do Rosário, como súdita da rainha, desta vez, permaneceu calada, revelando sua hipocrisia.

Por: Júlio César Cardoso é bacharel em Direito e servidor federal aposentado e mora em Balneário Camboriú – SC – juliocmcardoso@hotmail.com
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