Hipnose: promove a cura do próprio corpo

Muito se fala sobre as terapias alternativas e a capacidade da mente em curar o próprio corpo. Sempre que o assunto penetra neste universo, surge a palavra hipnose. Grande parte da população, infelizmente, não conhece bem o tema e pelo senso comum às vezes chega a conclusões equivocadas quanto à utilização dessa excelente ferramenta de apoio ao processo de cura.
Por: João Oliveira
Em primeiro lugar, devemos saber que praticamente todas as doenças que afetam o homem moderno tem como base algum distúrbio psicoemocional. Podemos dizer que três perfis podem estar fora deste pacote: as doenças congênitas (nasceu com), as possíveis hereditárias (minha família tem então eu posso ter também) e as que surgem por efeito ambiental (vírus letal, acidentes, efeito danoso de radiações, frio ou calor e etc.).

Mesmo assim, os males oriundos destas três possibilidades, podem ser amenizados com sugestões dadas enquanto a pessoa que sofre está induzida a um estado alterado de consciência.

Alguém pode dizer que a gripe, por exemplo, não tem origem em algum distúrbio na esfera emocional. Pode ser, mas, neste momento eu tenho alguns vírus de gripe em meu organismo (e outros também) e não me encontro acamado. Ocorre que, as doenças oportunistas, esperam uma baixa no sistema imunológico para terem uma vitória e prosperarem no organismo. Uma forte ansiedade, estresse ou aborrecimentos do dia a dia, cheio de percalços, são capazes de causar alterações significativas em nosso sistema de defesa abrindo a brecha para o desenvolvimento de muitos males.


A Hipnose Clínica, que difere de outros tantos tipos de hipnose, consegue subtrair sintomas e ressignificar conteúdos latentes nas estruturas emocionais. O problema pode residir quando, na pressa de ser ver livre do sintoma que aflige, o sujeito apenas subtrai o sintoma se esquecendo de ressignificar a causa do mesmo.

Ocorre que todo sintoma esta à serviço de uma causa. O ponto de origem (trauma/recalque) muitas vezes não está claro no inicio da abordagem terapêutica e, dependendo do caminhar da psicoterapia, pode levar algum tempo para que seja desvelada a causa principal do sintoma hoje aparente. Assim sendo, subtrair o sintoma não é cura. Trata-se, apenas, da retirada do som da campainha que alerta que alguém está à porta apertando o botão. Mesmo que não seja possível ouvir o som incômodo dentro da casa, a pessoa que deseja entrar continuará apertando o botão. Quando ela perceber que isso não surte efeito, irá bater à porta com as mãos ou gritar lá fora que deseja entrar até que seja ouvida por alguém.

Simplificando: sem ressignificar a causa principal do sintoma psicoemocional, a doença pode voltar até mesmo com outro perfil. Muitas vezes pode ser até pior que o primeiro.

Dessa forma a Hipnose Clínica é uma ferramenta de apoio a serviço dos profissionais de saúde na orientação da cura. Em principio, ela não é a milagrosa e rápida cura, mas, ajuda muito acelerando este processo de maneira sem igual. Hoje, no Brasil, muitos profissionais de saúde já estão legalmente amparados para utilização deste instrumento: médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas entre outros. Ocorre que não existe uma legislação específica e, qualquer um que possua conhecimento pode se intitular Hipnólogo. Não há mal nisto, afinal a hipnose pode ser usada de formas diversas e, até mesmo, como entretenimento em shows de mágica causando impacto teatral nos palcos.

Mas, alerta dado, jamais se deve abandonar qualquer tratamento em andamento se baseando na utilização da hipnose pura e simples. Seria o mesmo que usar uma anestesia para abafar a dor de um dente sem, contudo, realizar a extração do nervo no canal. Após algum tempo a dor ira surgir novamente. Então, em casos de doenças graves, a Hipnose Clínica deve se precaver de estar levando o cliente/paciente que sofre a uma abordagem mais ampla que deve incluir o processo psicoterápico na busca do ponto inicial que disparou o surgimento do sintoma. Uma vez equilibrado o sistema emocional, o mesmo se dará com o imunológico e as funções de produções endócrinas, que estarão normalizadas provendo saúde ao corpo.

Bem aplicada, por profissionais competentes, a Hipnose Clínica é um instrumento fantástico de apoio à manutenção ou recuperação da saúde plena. Lembre-se que hoje lidamos com várias doenças criadas pela mente. Se ela criou, com certeza deve ter também a solução para a cura.

Por: João Oliveira é psicólogo (CRP 05-32031) e professor universitário com mestrado em Cognição e Linguagem pela UENF-RJ, também tem formação em Publicidade e é diretor de Cursos do ISEC – Instituto de Psicologia Ser e Crescer com sede no Rio de Janeiro. – E-mail para correspondência: oliveirapsi@gmail.com . Autor do livro: “Saiba Quem Está á Sua Frente” pela WAK-Editora.
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