O Paraguai não é o Brasil

 Por: Sílvio Rodrigues P. Cunha
Que o mundo muda muito e rápido todo mundo sabe, mas, quem, objetivamente, poderia pensar que o Paraguai seria um exemplo para o Brasil? Bem, para quem somente pensa no nosso país vizinho como um sócio menos importante, deveria observar que, no mês passado, uma Missão Empresarial Brasil-Paraguai, composta de 178 empresários ou representantes de empresas e entidades brasileiras, esteve em Assunção, capital do país, para conhecer de perto os incentivos oferecidos para investimentos estrangeiros e casos de empreendedores que já estão instalados no país. A missão foi organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), e liderada pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).

Sabe qual o resultado? Saíram de lá com inveja do que viram e a impressão de que o Paraguai está se modernizando e nos deixando para trás em muitos setores e, pasmem, em especial, em competitividade, de vez que muitos dos empresários disseram que o modelo de política de desenvolvimento industrial adotado pelo governo paraguaio deveria servir de exemplo para medidas efetivas que recuperem a competitividade da indústria brasileira. Surpresos? Então, observem as palavras ditas pelo empresário RommelBarion, vice-presidente da Fiep e coordenador do Conselho Temático de Negócios Internacionais da entidade, “O que vimos aqui nos mostrou que se o Brasil não reagir para resolver seus problemas, vai ficar para trás” e acentuou que “No Paraguai, onde os custos de produção são, em média, 35% menores que os do Brasil, vimos que é possível criar um ambiente mais favorável”. Mas, o que mais impressionou os empresários foi verificar que o Paraguai tem uma economia estável, um sistema tributário simples, uma carga tributária muito menor que a do Brasil e uma legislação trabalhista simples ainda que assegure direitos ao trabalhador. Em suma, o Paraguai éum país bom para se investir, que respeita as leis e possui bons marcos regulatórios.


Se alguém tiver dúvidas a respeito que consulte o presidente da Fiep e comandante da Missão Empresarial, Edson Campagnolo, que, em artigo publicado, no dia 06 de março, na Gazeta do Povo, um dos principais jornais do Paraná, escreve sem rebuços que “Hoje, o ambiente de negócios no Paraguai é muito mais atrativo aos investidores que o do Brasil. A começar pela carga e pelo sistema tributários, infinitamente mais leves e simples. Vantagem especialmente para empresas que utilizam o território paraguaio como base exportadora. Pelo Regime de Maquila, é possível uma empresa produzir e exportar a partir do Paraguai com imposto único de 1% sobre o valor agregado dos produtos”. Até mesmo a energia elétrica, produzida por Itaipu, tem um custo menor lá, correspondendo a um terço das praticadas no Brasil. Campagnolo, com perspicácia, nos mostra que a missão serviu para alertar que precisamos encarar, urgentemente, as reformas necessárias para ter competitividade ou os investimentos e os empregos mudarão para o outro lado da fronteira. Sem querer promover a debandada de empresários nacionais para o país vizinho observa, com acuidade, que fazer os deveres de casa compensa, posto que o Paraguai com uma economia estável e a inflação controlada cresceu, vejam a ironia, 14,1% em 2013. E a formula é bem simples: o poder público, agora com Horácio Cartes, mais do que nunca, vê o empresário como propulsor do desenvolvimento do país e busca facilitar o surgimento e o fortalecimento das empresas incentivando a geração de emprego e renda. Pena que o Paraguai não é aqui.

Por: Silvio Rodrigues Persivo Cunha, é doutor em desenvolvimento sustentável pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos – NAEA da Universidade Federal do Pará e professor de Economia Internacional da UNIR – Fundação Universidade Federal de Rondônia.
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