Perfeccionismo

Resultado de imagem para perfeccionismo fotosPerfeccionismo não pode virar obsessão

A propósito de perfeccionismo, penso como Gilberto Freyre. O eminente sociólogo e reputado intelectual pernambucano escreveu a respeito, no artigo “Henry Moore, escultor de Sussex”, publicado na coluna que assinava na revista “O Cruzeiro”, em 9 de outubro de 1965: “O requinte de perfeccionismo faz, de certas obras de arte clássica – de literatura, de escultura, de arquitetura, de pintura – maravilhas de artes prejudicadas pelo próprio excesso de perfeição. Pelo próprio exagero de maturidade. O que parece dar a obras que, sendo clássicas, conservam-se, como, em literatura, as inglesas, de Chaucer a Shakespeare e de Shakespeare aos Lawrence, um tanto românticas, é – penso eu – o seu não sei quê de incompleto, de imperfeito, de imaturo, até. Nisto, Rodin foi mais inglês do que francês. E Proust também”.
Há quem chegue ao exagero de nunca dar uma obra por acabada, insistindo em burilá-la, em retocá-la, em refazê-la até, vezes sem fim, a ponto de descaracterizar por completo sua concepção original. E não raro essa versão que tanto modificou era a excelente e com todas as chances de se consolidar e se consagrar. Esse é o caso clássico do perfeccionismo nocivo, posto que obsessivo.
E, como tudo o que é exagerado… deixa de ser virtude para se transformar em algo negativo e ruim, diria, até, que doentio.
*Pedro J. Bondaczuk é jornalista e escritor, autor dos livros “Por uma nova utopia”“Cronos e Narciso” e “O país da luz”.

E-mail: pedrojbk@bestway.com.br
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