"Propina disfarçada"

Resultado de imagem para promotores delanol fotosA frase dita por Gilmar Mendes esta semana faz sentido. Os antônios conselheiros da Lava Jato, líderes da cruzada contra o mal, "não tem vivência institucional", sentenciou o ministro.
A simplificação pueril usada para fundamentar a narrativa da Lava Jato pode ser vista na tese, que infelizmente colou com carentes apreciações críticas, de que "doação oficial de campanha não passa de propina disfarçada".
Esta tronchura analítica parte de pressupostos questionáveis. Os cruzados da Lava Jato pegam falas de delatores e fazem uma ligação direta entre a doação aos acessos privilegiados, concluindo que trata-se de um "pagamento".
A artimanha se encontra em pegar uma contradição política tipica de um modo de financiamento, colocar sob suspeição qualquer encontro entre agentes empresariais e políticos e desferir um desfecho na análise a partir da condenação moral.
Só que é uma questão política e que deve ser resolvida nesta seara e não moral, muito menos criminal. Um doador de campanha terá refinanciamentos de dívidas aprovados sem que ele precise lembrar que deu dinheiro, dentro da legislação, durante o pleito. Seu interesse acaba sendo super representado.
Na próxima eleição, o político, com a possibilidade de angariar recursos, irá pedir dinheiro ao empresário, sem fazer esse achaque direto que os membros da Lava Jato dizem existir. Há uma parte não contratual não verbalizada deste "contrato" consagrado, que é jogado no lixo pelo MPF para caracterizar suas acusações. Eles desconsideram que o empresário, em sua racionalidade, doará para ter trânsito. Se a eleição estiver acirrada, doará também para o outro lado. A legislação permitia.
O que os delatores agora estão fazendo, com uma boa dose de pressão pelo contexto proporcionado pela Lava Jato, é jogar uma suposta "culpa" para os políticos. Com isso, vão pra casa. "Eu doei para ter acesso a empréstimos e REFIS". E é verdade. Só que, repito, não há essa ligação automática feita para colocar o mundo político na cadeia.
Trata-se de um problema muito grave que mina a representação. Mas que não era crime até 2014.
Já tinha visto leitura moralizante nesses termos ser feita entre militantes do PSTU. Como diria Bobbio, os radicais se atraem.

Com informação do O potiguar de Dario Menezes
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