Burguesia no mundo atual

Matéria originalmente em parte publicada no antigo portal do MR.

Depois da derrota no Vietnã em 1975, os EUA ao demonstrarem que não eram invencíveis nem no campo militar, mudaram de tática para frear a luta dos trabalhadores. O imperialismo passou a impulsionar em diferentes países a canalização de lutas e revoluções para dentro do regime democrático-burguês e suas instituições (Parlamento, Congresso, Senado, etc.). Querendo demonstrar com esta atitude que a democracia burguesa era universal e “um fim em si mesmo”, tanto o imperialismo, quanto diversos partidos ditos de esquerda (sobretudo depois da queda da URSS e do Leste Europeu) passaram a defender com todas as suas forças essa política e transformaram as eleições no centro de sua atuação. Isso ficou conhecido por entre a esquerda como o vendaval oportunista, que levou centenas de organizações de esquerda a abandonarem as concepções de luta de classes e da revolução socialista.
Ao tomarem tal atitude, estes partidos defendem como valor maior essa mesma democracia burguesa. Mas será que ela é mesmo democrática? Será que os trabalhadores são representados nos parlamentos da burguesia nos quatro cantos do mundo?

O que há por trás da democracia-burguesa?

A democracia como valor universal não existe e nem pode existir, pois temos que chegar em sua essência e ver qual classe beneficia. Para a aristocracia grega da antiguidade existia a mais ampla democracia, porém, para os escravos (que eram a absoluta maioria), a democracia era somente uma palavra vazia.

Atualmente, após as atrocidades que o imperialismo americano cometeu no Iraque em nome da “democracia”, vemos qual o verdadeiro sentido que tem. Para a burguesia, que goza do domínio completo sobre a economia e a política no mundo todo, há democracia. Para os trabalhadores e os setores explorados da sociedade (que tem baixos salários, péssimas condições de trabalho, fome, miséria, opressão, etc.) não existe nem resquício de democracia. Pelo contrário, há uma profunda ditadura disfarçada que esmaga a classe trabalhadora sem piedade alguma.


A burguesia, por intermédio de sua imprensa, diz aos trabalhadores: “se um partido é corrupto ou ‘governa mal’, vote em outro nas próximas eleições”. Esta afirmação dá a falsa impressão que o aparato do Estado está “acessível” a qualquer pessoa, inclusive os trabalhadores. Isso não é verdade. Somente para as grandes multinacionais, para a burguesia e os seus bilhões que esta frase é verdadeira. O trabalhador que fica indignado perante a corrupção escancarada do Congresso não pode destituir nenhum deputado ou outro parlamentar qualquer, tampouco decidir ou cortar seus salários. Depois de eleito, o parlamentar se desprende completamente do sei eleitor, e atende somente as exigências das grandes empresas que financiaram suas campanhas eleitorais. O PT é a expressão máxima disso que estamos falando, entretanto, todos os outros partidos que tem sua estratégia centrada nas eleições – sejam burgueses ou não – seguem esta mesma lógica e tem este trágico final.

A democracia burguesa também aposta todas as suas fichas na mudança da aparência das coisas, tal como ficou demonstrado na mudança de nome dos partidos tradicionais da burguesia (como PFL, PMDB e outros). O PFL, ao mudar o seu nome para “Democratas”, pretendia dar um novo ar para seu partido. Como se fosse possível esquecer os escândalos de corrupção que este partido – assim como o PMDB – esteve envolvido, bem como qual classe sempre representou.

Após a tomada de consciência dos trabalhadores de que as eleições não mudam nada e que só a luta direta pode mudar suas condições de vida, a burguesia lançou mão de uma grande campanha política/publicitária para a moralização do Estado burguês e de suas instituições. O pior é que a burguesia teve o inestimável auxílio dos partidos ditos de esquerda que contribuíram nessa tal “moralização”.

Seja como for, a democracia burguesa é como diz o seu nome: para a burguesia e somente para ela. Os trabalhadores só se farão representar e terão democracia em um outro tipo de Estado que seja construído pelos próprios trabalhadores por intermédio de uma mobilização permanente, ou seja: de uma Revolução Socialista.

O capitalismo e a democracia burguesa:

Apesar da extrema decadência capitalista, a democracia burguesa sobrevive. Como todas as instituições do Estado, a existência e caráter do parlamentarismo burguês se explicam pela luta entre as classes fundamentais da sociedade, a burguesia e o proletariado (classe trabalhadora), e a sua relação com a pequena burguesia. Esse regime surge e se consolida na época do apogeu capitalista, no Século XIX e começo do Século XX. É a época da reformas para a classe operária, quando esta conquista os seus principais direitos sociais e democráticos no interior do capitalismo: sufrágio universal, redução da jornada de trabalho, férias remuneradas, etc.
Hoje o capitalismo já não é mais compatível com a ampliação dos direitos sociais, ainda que conquistas circunstanciais e limitadíssimas ainda aconteçam. Pelo contrário, após a restauração capitalista nos antigos estados operários (União Soviética e Leste Europeu), a burguesia desencadeou uma gigantesca ofensiva pela retirada desses direitos. Isso tem pautado as lutas do proletariado, como foi o caso da França, no ano passado, com a luta contra a retirada dos direitos trabalhistas da juventude. No Brasil, é a luta contra as reformas (Reformas Sindical, Trabalhista, Universitária e da Previdência). E assim, em todo o mundo. De instituição por onde passavam as conquistas populares, o parlamento se transformou no lugar por onde passam as contra reformas.
Essa aparente estabilidade da democracia burguesa certamente tem explicação. Na sua longa existência alternou-se com períodos ditatoriais fascistas. Sem exceção, esses períodos coincidem com a agudização da luta de classes. Noutros termos, a democracia burguesa se demonstrou incompatível com a luta de classes aberta, sendo que as ditaduras são a expressão das derrotas sofridas pelos trabalhadores nesses momentos. Essas derrotas, por sua vez, abrem espaço e são a pré-condição de novos períodos “democráticos”, que somente são possíveis em função delas. Ou quando a burguesia não se sinta ameaçada, pela ausência de uma alternativa operária.

Ditadura fascista X democracia burguesa:

Quando possível, a burguesia prefere a democracia às ditaduras, porque aquela lhe dá mais estabilidade unificando-a melhor enquanto classe. Mas o parlamento não é mais o mesmo do passado. Não tem mais nenhum resquício de autonomia. Transformou-se no antro de unificação das diversas máfias que parasitam o Estado, a serviço das multinacionais. Sem contar os sucessivos escândalos de corrupção que são inerentes a própria organização do Estado burguês capitalista. Por ele já não passam as reivindicações populares, mas os ataques ao povo. A democracia transformou-se mais ainda numa fachada democrática, para encobrir a ditadura do capital, isto é, ditadura da classe burguesa contra os trabalhadores.
Os trabalhadores não têm representação no parlamento e em nenhum outro setor do Estado burguês. Todos os partidos que falam ou falaram em nome dos operários acabaram a serviço do imperialismo, seja direta ou indiretamente. Esse papel assume abertamente o PT. e o PCdoB. E o PSOL de forma disfarçada e indireta, justamente por ter uma estratégia pura e simplesmente eleitoral. Este põe ovo nos dois ninhos. Vota com a burguesia as reformas neoliberais e participa da luta contra as mesmas. Por fora do parlamento corre o PSTU, que hoje não representa alternativa de poder para os trabalhadores por estar aderindo a outro tipo de projeto. Na luta contra as reformas, através da sua política de unidade, se submete às bandeiras governistas, e elege como método preferencial a pressão sobre o parlamento através das marchas à Brasília. Em conjunto, essas são as causas da estabilidade dessa instituição há mais de 20 anos no Brasil. No resto dos parlamentos do mundo existem apenas variantes dessa mesma situação.
Na medida em que os trabalhadores superem a sua crise de direção, se coloquem como alternativa à burguesia, a instabilidade parlamentar sem dúvida surgirá. A alternativa, socialismo ou barbárie (no caso o fascismo) voltará à cena. A luta aberta pelos Conselhos Populares e pelo armamento do proletariado – ou seja, alternativas de um outro tipo de Estado para os trabalhadores – estarão colocados na ordem do dia.

Fonte: Movimento Revolucionário Socialista/para saber como surgiu a burguesia clique na palavra Burguês

Abaixo leia a música que define bem a Burguesia atual, letra de Cazuza
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelos de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
A burguesia quer ir a New York fazer compras
Pobre de mim que vim do seio da burguesia
Sou rico mas não sou mesquinho
Eu também cheiro mal
Eu também cheiro mal
A burguesia tá acabando com a Barra
Afunda barcos cheios de crianças
E dormem tranqüilos
E dormem tranqüilos
Os guardanapos estão sempre limpos
As empregadas, uniformizadas
São caboclos querendo ser ingleses
São caboclos querendo ser ingleses
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
A burguesia não repara na dor
Da vendedora de chicletes
A burguesia só olha pra si
A burguesia só olha pra si
A burguesia é a direita, é a guerra
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
As pessoas vão ver que estão sendo roubadas
Vai haver uma revolução
Ao contrário da de 64
O Brasil é medroso
Vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Vamos pra rua
Pra rua, pra rua
Vamos acabar com a burguesia
Vamos dinamitar a burguesia
Vamos pôr a burguesia na cadeia
Numa fazenda de trabalhos forçados
Eu sou burguês, mas eu sou artista
Estou do lado do povo, do povo
A burguesia fede - fede, fede, fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia
Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares
O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo
Em seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal
No sinal, no sinal
A burguesia fede
A burguesia quer ficar rica
Enquanto houver burguesia
Não vai haver poesia


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