Casar por que, para quê?

Recentemente, numa conversa, falava-se do casamento e dei um palpite acertado. O assunto era “casar por amor”. E o outro lado da moeda: “casar sem amor”, ou seja, casar por interesse, casar para juntar e preservar fortunas, patrimônios; casar para sair da casa dos pais e tantas outras razões.
Por: Marisa Bueloni
Não sei se nos dias atuais os jovens sentem pressa de casar. Parece que não. Os moços de hoje demonstram gostar bastante do ninho doméstico, ter o quarto deles, comida e roupa lavada, usufruindo de toda a estrutura da casa dos pais.

Vi uma reportagem na tevê, mostrando filhos quarentões que optaram por não abandonar o “lar doce lar”. E são bobos? Pretendem ficar na mordomia enquanto os pais ali residam, a pretexto de que cuidam deles e são indispensáveis.

Na reportagem, alguns pais reclamavam: “Mas não está na hora de você casar, filho?”. E o moçoilo desconversava, alegando não ter ainda encontrado a mulher da sua vida e tampouco o emprego dos sonhos. Os pais, como sempre, acolhem com carinho toda esta gama de explicações dadas pelo filhote que não quer voar.

Mas, casamento tem de ser por amor, creio eu, e essa será minha tese eterna. Costuma-se dizer: “Se com amor já é difícil, imaginem sem…”. Pois é.


Tudo isso me fez lembrar de uma confissão maravilhosa que tive com um sacerdote muito inteligente e bastante idoso também. Eu havia recebido um pedido de casamento. Viúva, a corte e o pedido me trouxeram, digamos, algum entusiasmo. Um novo encanto à vida. Aproveitei o momento da confissão para pedir uma orientação ao frei e vi que ele gostou da conversa.

Comecei com minhas dúvidas, não tinha certeza de amar a pessoa… O frei argumentou: “Mas para casar não é preciso amar. O amor vem depois, com o tempo, minha filha”. Peraí, frei! Alto lá!

Então, expus a minha convicção imutável de que o casamento deve ter somente o amor como razão principal. “Engano seu”, disse o frei. E acrescentou: “Você julga que todos os casamentos são por amor e que todos casam apaixonados, minha filha?”.

Sim, sim, sim, frei querido! Eu julgo, eu acho que assim deveria ser. Para mim, matrimônio é sacramento, é coisa séria demais, é o passo mais importante que se dá na vida. E é preciso levar a sério aquelas palavras célebres, “na tristeza, e na alegria; na saúde e na doença…”.

Contudo, mostra-nos a vida uma outra realidade. Este juramento nem sempre tem a força de unir corpos e almas eternamente. Há casos e casos de incompatibilidade. Até alimentar. Um não aceita o que o outro gosta de comer.

Enfim, caí na tentação de contar ao frei que o pretendente possuía um cheiro muito bom e especial. O frei deu o veredicto: “Minha filha, case-se com este homem”. Respondi que não se deve casar com alguém por causa do cheiro; tem de haver amor.

O frei e eu rimos juntos. Mas não me casei. Refleti noites e noites. No fundo do meu coração, precisava da certeza do amor.

Hoje, na condição de viúva, com a recordação de um casamento maravilhoso e feliz, mantenho a convicção de que só se deve casar por amor. E por nenhuma outra razão. Não é, frei?…

Por: Marisa Bueloni mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional. É membro da Academia Piracicabana de Letras – marisabueloni@ig.com.br
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